TRAMONTANA NO MONTEMURO
Residência Artística Internacional
15 de agosto a 12 de setembro de 2026
Parada de Ester (Castro Daire)
NOMOS
Francesca Migliorin (Itália)
Em Nomos, Francesca Migliorin aprofunda o conhecimento da agropastorícia e da transumância, práticas inseparáveis da cultura rural e testemunhos de uma antiga harmonia entre o ser humano e a natureza. Originária do Alto Piemonte (Biella), onde a agropastorícia mantém ainda um forte impacto económico, social e paisagístico, a artista centra-se na migração sazonal dos rebanhos entre o vale e a montanha enquanto património cultural imaterial. Uma das memórias que guarda com mais carinho é a passagem da transumância na estrada em frente à casa da família, que observava em criança com a avó.
Interessa-lhe a relação entre o espaço nómada, em que o caminho é o lugar simbólico onde decorre a vida comunitária, e o espaço errático, e aquilo que fica na passagem: os rastos deixados entre o cheio e o vazio. Na serra de Montemuro, percorreu, observou e fotografou as rotas da transumância, em diálogo com a comunidade local, agricultores e pastores, recorrendo à técnica da câmara pinhole, com equipamento construído pela própria, que produz imagens a preto e branco cuja exposição é determinada pela luz do sol. O projeto prevê que as fotografias regressem ao lugar onde foram criadas, montadas em tubos metálicos cravados na terra.
Uma coprodução da Binaural Nodar e do Município de Castro Daire, através da Biblioteca Municipal, com o apoio da União de Freguesias de Parada de Ester e Ester, no âmbito do projeto Rede Tramontana, cofinanciado pelo programa Europa Criativa da União Europeia.
A Binaural Nodar é uma entidade cultural apoiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto | Direção-Geral das Artes.
Francesca Migliorin (Biella, Itália, 1998) licenciou-se em Design Gráfico (2021) e concluiu o mestrado em Fotografia (2024) na Academia de Belas-Artes de Génova, experimentando com a fotografia e com diferentes técnicas de impressão, combinando vários materiais. Investiga narrativas emocionais ligadas ao meio envolvente, à luz, ao habitar e à coabitação. A corporalidade, em relação com as suas próprias fragilidades e memórias, permite-lhe explorar a interseção entre fotografia e instalação. Expôs, entre outros espaços, na AlleOrtiche, Palazzo Grillo, Studio Florìda, Giardini Luzzati e Nucleo21. Integra atualmente o Studio Florìda e colabora com a galeria Campo XS, em Génova.