O TEMPO DAS COISAS
Exposição Visual e Sonora
18 abril – 30 agosto 2026
Inauguração: sábado, 18 abril às 15h00
Todas as pessoas vivem rodeadas por objetos que carregam mais do que a sua matéria física – trazem consigo histórias, memórias e afetos que cruzam gerações e, muitas vezes, atravessam territórios.
O projeto comunitário “O Tempo das Coisas” dirige o olhar para essa riqueza complexa, dando especial atenção, quer aos objetos que foram custodiados desde os antepassados que viveram um contexto de ruralidade autossuficiente: das alfaias, aos ofícios tradicionais e aos objetos da vida familiar; mas também àqueles que testemunham as mudanças sociais que as comunidades rurais viveram nas últimas décadas, sobretudo a experiência da emigração mas, também, a dos estudos realizados fora das aldeias de origem.
Por um lado, muitos dos objetos guardados com cuidado e carinho revelam uma conversa silenciosa com o tempo mais longínquo dos antepassados familiares. A ligação profunda à terra, os ritmos naturais e as tradições que moldaram a vida rural, testemunham de forma palpável um modo de viver essencial que, embora hoje distante dos objetos da modernidade, continuam a pulsar nas memórias de muitas famílias e na identidade coletiva dos habitantes das aldeias da freguesia de Calde.
Por outro lado, outros dos objetos foram trazidos das terras onde alguns viveram, muitos em busca de novas oportunidades, sendo esses objetos símbolos vivos dessas trajetórias de mudança e de adaptação. Eles carregam marcas do trabalho, da convivência e das experiências concretas vividas em múltiplos lugares, e são, ao mesmo tempo, pontes entre o aqui e o acolá, entre o que ficou para trás e o que foi construído longe. Alguns dos objetos guardados pelas famílias refletem, portanto, a forma como a vida se redesenhou num cenário social bem diferente daquele da origem destas pessoas.
A exposição visual e sonora “O Tempo das Coisas” convida-nos a ver as formas e a escutar as vozes de objetos com valor sentimental. Ao partilharmos as histórias que acompanham cada um deles, honram-se memórias familiares e coletivas e, desejavelmente, fortalece-se o sentido de pertença e de autoestima dos habitantes envolvidos no projeto. Amar e cuidar destes objetos é, afinal, amar a própria vida — a que foi vivida, a que se vive e a que se espera viver.
Nesta edição de “O Tempo das Coisas”, realizada em colaboração com o Município de Viseu, através do Museu do Linho de Várzea de Calde e com a Junta de Freguesia de Calde, propôs-se um percurso comunitário de encontros de partilha de memórias, realizados entre outubro de 2025 e fevereiro de 2025, os quais culminam nesta exposição, oferecendo a todos a oportunidade de conhecer e sentir a diversidade das memórias afetivas, através dos materiais, formas e texturas que acompanham a vida.
Os curadores deste projeto agradecem aos habitantes das várias aldeias da freguesia de Calde que acederam a selecionar um dos seus objetos de afeição e que testemunharam a sua relevância pessoal.
Ficha Artística e Técnica:
Uma produção da Binaural Nodar, em parceria com o Município de Viseu, através do Museu do Linho de Várzea de Calde, com a Junta de Freguesia de Calde e integrado no projeto europeu Rede Tramontana, co-financiado pelo Programa Europa Criativa.
Ideia original: Luís Costa
Desenho metodológico e técnico: Luís Costa, Ana Margarida Ferreira e Nely Ferreira
Entrevistas e registos fotográficos: Ana Margarida Ferreira e Nely Ferreira
Conceção de painéis visuais: Ana Margarida Ferreira
Peça sonora: Nely Ferreira e Luís Costa
Desenho Gráfico: Liliana Silva
Transcrição de Textos: Nely Ferreira e Andreia Mota
A Binaural Nodar é uma entidade cultural apoiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto | Direção-Geral das Artes.