O QUE PODEM DIZER OS LUGARES RURAIS ENTRE SI?
Apresentação de pesquisa artística entre Viseu Dão Lafões (Portugal) e Abruzzo (Itália)

1 de março, 21h00
Bar Arjotvene, Penna Sant’Andrea (Abruzzo, Itália)

Autor: Luís Costa
Introdução: Gianfranco Spitilli

Entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, Luís Costa, coordenador da associação Binaural Nodar e investigador de doutoramento em criação artística, conduziu vários períodos de investigação artística nas paisagens e comunidades de montanha da região italiana de Abruzzo, numa coprodução entre a Binaural Nodar, a Bambun APS e o Centro Studi Don Nicola Jobbi. Esta investigação também faz parte da rede Tramontana e é cofinanciada pelo programa Erasmus+ da União Europeia.

No contexto da investigação, Luís Costa explorou as relações empíricas, sensoriais e imaginárias entre os locais rurais da região portuguesa de Viseu Dão Lafões e da região italiana de Abruzzo, através de uma série de quatro novos ensaios audiovisuais que problematizam o conceito de «terceiro lugar».

O terceiro lugar apresenta-se como um espaço evocativo que transcende os conceitos convencionais da geografia e da paisagem, oferecendo um terreno liminar onde os significados não são fixos nem completamente formados. Esse terceiro lugar não é apenas um lugar físico, mas um limiar conceptual, um local de encontro onde a memória, a perceção e o desejo convergem e divergem. Exige um envolvimento com o da figura do mediador que propõe uma latência criativa onde o ato de imaginar se desenvolve através de um processo dinâmico de tessitura de elementos díspares num tecido comum transitório.

Com esta investigação, realizada em colaboração com dois centros de investigação portugueses: ID+ (Universidade de Aveiro) e LiDA (Escola de Arte e Design, Caldas da Rainha), estão concluídos os nove ensaios audiovisuais incluídos na investigação de doutoramento de Luís Costa, que refletem vários aspetos da relação estabelecida entre os locais rurais, como a religiosidade popular, a flora de montanha, o artesanato têxtil, a relação homem-animal, os sistemas de irrigação, entre outros.

A equipa de orientação da investigação de doutoramento de Luis Costa é composta pela Prof.ª Doutora Graça Magalhães, Prof.ª Doutora Susana Duarte e Prof. Doutor Sérgio Eliseu.

Obras a apresentar:

O Tempo da Horta Eterna
Poggio delle Rose (TE), Itália e Gafanhão (Castro Daire), Portugal

“O tempo da horta eterna” é uma viagem audiovisual através da intimidade de duas hortas familiares, em Poggio delle Rose, na Itália, e em Além do Rio, em Portugal. O projeto é uma homenagem ao agricultor enquanto artista espontâneo que molda formas, cores e sabores, entrelaçando tradição e vida quotidiana num diálogo intemporal entre paisagens e culturas.

Os Animais da Criação
Contrada Li Massimuccë (TE), Itália e Raso (Castro Daire), Portugal

Que gestos, caminhos e palavras são usados no cuidado do gado bovino no estábulo de uma pequena localidade da província de Teramo e na criação extensiva ao ar livre, numa pequena aldeia portuguesa com menos de dez habitantes? A obra audiovisual “Os animais da criação” reflete tanto sobre os hábitos quotidianos como sobre a complexa discussão moral sobre a vida e o destino dos animais de criação e sobre os dilemas e contradições inerentes, mais ou menos assumidos.

Tessitura
Campotosto (AQ), Itália e Várzea de Calde (Viseu), Portugal

“Tessitura” é uma obra audiovisual que entrelaça a arte do tear e a produção têxtil artesanal de duas comunidades rurais: Campotosto, em Abruzzo, Itália, e Várzea de Calde, em Viseu, Portugal. Esta viagem artística aborda simbolismos antigos da fiação e da tecelagem, traçando um fio invisível que une culturas e épocas diferentes, através da referência às Moiras da mitologia grega, as divindades do destino que fiam, medem e cortam o fio da vida, sublinhando o papel da tecelagem como metáfora do ciclo vital humano.

A Noite em Comum
Penna Sant’Andrea (TE), Itália e Negrelos (São Pedro do Sul), Portugal

“A noite em comum” é um projeto audiovisual que aborda as tradições sonoras e rituais ligadas aos cantos de inverno em dois lugares distantes: Negrelos, São Pedro do Sul, em Portugal, e Penna Sant’Andrea, em Abruzzo, Itália. No coração do inverno, quando as noites são mais frias e longas, as vozes tornam-se portadoras de um ritual antigo. Nos cantares de Reis e das Janeiras em Negrelos, assim como nos cantos itinerantes dedicados a Santo Antão em Penna Sant’Andrea, emergem sons, vozes e luzes que irrompem o silêncio noturno e que anunciam ou auguram esperança vindoura.

Luís Costa agradece especialmente a todos os que ajudaram ou foram entrevistados no contexto da pesquisa de campo destas quatro obras: Gianfranco Spitilli, Domenico de Teodoro, Assunta Perilli, Augusto Fabri, Valentino Salini, Annunziata Buonasorte, Angelo Pavone, Giovina Canulli, Arlindo Pereira e Cátia Silva.

A Binaural Nodar é uma estrutura cultural apoiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto | Direção Geral das Artes.