Decorreu entre 30 de junho e 12 de julho, em Várzea de Calde, a residência artística “Escutar a Juventude Rural”, promovida pela Binaural Nodar com o apoio do Município de Viseu, da Junta de Freguesia de Calde e do espaço artístico italiano Studio Florìda. Esta iniciativa esteve integrada no projeto europeu Tramontana, uma rede de estruturas culturais que operam em contexto de montanha, cofinanciada pelo programa Europa Criativa.

Durante duas semanas, os artistas Adriana Lopes (Portugal), Leele Jürjen (Estónia), Luís Costa (Portugal) e Sanae Mazouz (Marrocos/Itália) desenvolveram projetos artísticos que refletiram sobre as relações entre juventude e os contextos rurais. As propostas partiram de temas como a sociabilidade infantil e juvenil no meio rural, o impacto das transformações sociais nas aldeias e o potencial regenerador do contacto com a natureza e com as tradições.
A residência terminou no dia 12 de julho com uma apresentação pública dos processos artísticos desenvolvidos, num momento de partilha entre os artistas, a comunidade local e entidades parceiras.
A formação académica em Antropologia permitiu a Adriana Lopes experimentar o método etnográfico em multimodalidade, articulando-o com práticas artísticas. A artista adota o encontro como premissa para o conhecimento e vai cartografando o seu corpo-arquivo em movimento e em relação com os objetos encontrados, de modo a pensar, manejar e refletir sobre o mundo. Aprofundando a ontologia da práxis do teatro, reflete sobre a natureza problemática da representação em veículos de expressão. Com especialização em Antropologia Visual, a artista de 26 anos utilizou métodos etnográficos em articulação com a fotografia, o desenho e a instalação, transformando o encontro com a comunidade numa forma de refletir sobre o mundo. O resultado final proporcionou uma leitura sensível das relações entre a memória, a criatividade e a juventude nos territórios rurais.

Leele Jürjen, nascida em 2006 em Tartu, Estónia, é uma violoncelista e vocalista pioneira que combina a formação clássica com a música tradicional estónia. Iniciando o seu percurso musical com o kannel e o violoncelo sob a orientação de professores conceituados como Leho Karin e Reet Mets, Leele tornou-se a primeira violoncelista do Departamento de Música Tradicional da Heino Eller Music College, onde explorou a música folclórica através do seu instrumento de formas inovadoras. Profundamente enraizada na herança cultural dos povos Võro and Set, uma que foi transmitida por sua mãe, Anna Hints, Leele tem dado vida a estes sons enquanto membro fundador do trio folk Nova Lyre, misturando línguas antigas e arranjos contemporâneos.

Luís Costa é investigador de doutoramento em criação artística na Universidade de Aveiro e na Escola Superior de Artes e Design (Caldas da Rainha). Desde 2004, trabalha como curador e programador de práticas artísticas contemporâneas e como artista sonoro e media. É fundador e coordenador da Binaural Nodar desde 2006. É autor/editor de doze livros dedicados à investigação artística sonora/media e à etnografia rural. Desde 2007 tem desenvolvido uma intensa atividade de criação sonora e audiovisual em contextos rurais, através da qual reflete sobre as especificidades e as mudanças paisagísticas, sociais e culturais dos lugares.

Sanae Mazouz (nascida em 1999, em El Brouj, Marrocos) é uma artista multidisciplinar que trabalha principalmente com pintura, fotografia e vídeo performance. Nascida na região de Chaouia, em Marrocos, onde viveu até aos nove anos, Sanae migrou para Itália para se reunir com o pai. Formada em Química Industrial no ensino secundário, está a frequentar o último ano do curso de Belas-Artes, com especialização em Pintura, na Accademia Ligustica di Belle Arti di Genova, e colaborando regularmente com a organização artística Studio Florìda, localizada no coração da cidade antiga de Génova.