Decorreu entre 30 de junho e 12 de julho, em Várzea de Calde, a residência artística “Escutar a Juventude Rural”, promovida pela Binaural Nodar com o apoio do Município de Viseu, da Junta de Freguesia de Calde e do espaço artístico italiano Studio Florìda. Esta iniciativa esteve integrada no projeto europeu Tramontana, uma rede de estruturas culturais que operam em contexto de montanha, cofinanciada pelo programa Europa Criativa.
A formação académica em Antropologia permitiu a Adriana Lopes experimentar o método etnográfico em multimodalidade, articulando-o com práticas artísticas. A artista adota o encontro como premissa para o conhecimento e vai cartografando o seu corpo-arquivo em movimento e em relação com os objetos encontrados, de modo a pensar, manejar e refletir sobre o mundo. Aprofundando a ontologia da práxis do teatro, reflete sobre a natureza problemática da representação em veículos de expressão. Com especialização em Antropologia Visual, a artista de 26 anos utilizou métodos etnográficos em articulação com a fotografia, o desenho e a instalação, transformando o encontro com a comunidade numa forma de refletir sobre o mundo. O resultado final proporcionou uma leitura sensível das relações entre a memória, a criatividade e a juventude nos territórios rurais.