NAVE ESCUTATÓRIA. FICÇÃO
Práticas ficcionais de escuta e transdução territorial
Um projeto artístico de Luciano Piccilli (Argentina)
21 setembro a 15 de outubro
Vouzela (Portugal)
E se o som da paisagem pudesse materializar-se numa imagem? Este foi o ponto de partida de “Nave Escutatória. Ficção”, a residência artística que acolheu o artista Luciano Piccilli em Vouzela, entre 21 de setembro e 15 de outubro.
Durante este período, Luciano Piccilli desafiou estudantes da Escola Profissional de Vouzela a participar nas várias etapas do projeto comunitário, que, de forma simbólica, teve a sua base no viveiro municipal.
Numa primeira fase, foi feita a captação sonora do rio Zela e da paisagem envolvente, bem como a recolha de materiais naturais: folhas, areia, pedras, bolotas, entre outros. Depois, construiu-se o dispositivo que transforma o som, através das suas vibrações, em imagens, criando uma partitura visual do território. Os fotogramas ganharam forma com processos químicos e analógicos tradicionais, que os alunos puderam também experimentar.
O resultado final foi apresentado ao público no dia 14 de outubro, numa exposição das imagens criadas pelos estudantes. A apresentação contou com a presença da Vereadora da Cultura, Inês Paiva, do diretor pedagógico da EPV, José Lino Tavares, do professor João Batista, dos estudantes e da comunidade local.
Para Luís Costa, coordenador da Binaural Nodar, esta residência aproximou “dois universos aparentemente distintos, a fotografia e o som, a partir de uma abordagem física e analógica”. “É uma proposta que ganha particular sentido junto de uma geração que cresceu rodeada de ecrãs, e que lhe oferece outra forma de olhar e de escutar.”
Luciano Piccilli (nascido em 1991) é um artista visual, sonoro e investigador argentino, radicado em Buenos Aires. O seu trabalho foca-se na interseção entre a exploração audiovisual e as paisagens acústicas. A sua obra “Monte”, que explora a relação entre identidade e memória na floresta tropical do Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, recebeu uma menção honrosa do Prix Ars Electronica 2025.
Uma produção local da Binaural Nodar com apoio pedagógico da Escola Profissional de Vouzela, apoio logístico do Município de Vouzela e apoio financeiro dos Programas Ibermúsicas 2025 e Laç(z)os Artísticos 2025, este último uma coorganização da República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto | Direção-Geral das Artes, da CPLP e da OEI, com o apoio do Corte Inglés.
A Binaural Nodar é uma entidade cultural apoiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto | Direção-Geral das Artes.