UMA MANHÃ COM O BARRO NEGRO DE RIBOLHOS

Sábado, 12 de setembro
Oficina do Barro Negro (Antiga Escola Primária)
Ribolhos (Castro Daire)

No passado sábado, realizou-se o evento “Uma Manhã com o Barro Negro de Ribolhos” iniciou-se com um percurso comentado pelo oleiro Jorge Ferreira, através de alguns lugares simbólicos da aldeia que se ligam à olaria: onde viviam os oleiros, onde eram efetuadas as soengas, etc.

Depois do percurso pedestre, foi apresentada uma instalação audiovisual da autoria de Luís Costa, coordenador da Binaural Nodar, intitulada “Um conto asinino”, que imagina a relação entre dois exemplares de gado asinino, um da província de Zamora (Espanha) e outro de Ribolhos. Esta obra está integrada na investigação do autor no contexto do Programa Doutoral em Criação Artística da Universidade de Aveiro, em parceria com dois centros de investigação: ID+ (Aveiro) e LiDA (ESAD Caldas da Rainha).

Em setembro de 2023, foi inaugurada numa das salas da antiga escola primária da aldeia de Ribolhos (Castro Daire) a Oficina do Barro Negro, um espaço de interpretação de uma tradição artesanal ancorada nesta pequena aldeia, situada junto à Estrada Nacional Nº2. Este espaço contou com a curadoria de Marta Carvalhal, Luís Costa e Jorge Ferreira, tendo tido a estreita colaboração de duas iniciativas do Governo Português: o Programa Nacional Saber Fazer e o Plano Nacional das Artes. Desde então, a Oficina do Barro Negro acolheu diversas atividades como residências artísticas, ateliês escolares, rotas pedestres, exposições temporárias e apresentações de livros, num esforço conjunto das várias entidades programadoras do espaço.

Nas semanas anteriores ao evento, a artista residente Rita Gomes desenvolveu uma investigação, intitulada “Justaposição”, sobre o território através do encontro entre o barro e o granito, duas matérias distintas que colocam em diálogo aquilo que se transforma e aquilo que permanece. Partindo de pequenas rochas graníticas recolhidas na serra do Montemuro, anteriormente integradas em muros ligados à atividade pastorícia, a artista incorporou-as nas suas criações, permitindo que o barro se moldasse à pedra e que, através do fogo, ambas adquirissem uma nova relação. Cada peça explorou a tensão entre fragilidade e resistência, entre a delicadeza da matéria trabalhada pela mão e a presença bruta da paisagem serrana, afirmando a justaposição como uma forma de proximidade sem fusão, onde matérias diferentes coexistem e revelam novas possibilidades.

Ficha técnica e artística:

Uma coprodução entre a Binaural Nodar, o Município de Castro Daire, através da Biblioteca Municipal, e a União de Freguesias de Mamouros, Alva e Ribolhos.
Um evento integrado nas atividades da Rede Tramontana, um projeto cofinanciado pelo Programa Europa Criativa da União Europeia.
Curadoria do evento: Luís Costa, Marta Carvalhal e Jorge Ferreira
Instalação audiovisual: Luís Costa
Instalação de cerâmica artística: Rita Gomes
Documentação fotográfica e apoio aos visitantes: Nely Ferreira, Andreia Mota (Binaural Nodar) e equipa da Biblioteca Municipal de Castro Daire.

Fotografias de Liliana Silva e Francesca Migliorin para a Binaural Nodar.

A Binaural Nodar é uma entidade cultural apoiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto | Direção-Geral das Artes.