UM TERRITÓRIO COMUM
Apresentação de livro

02 dezembro 2025, 16h00
LiDA (ESAD Caldas da Rainha)

Apresentação por Luís Costa, com a presença de Susana Duarte e Ricardo Jacinto (organizadores das residências artísticas e editores do livro)

«Um Território Comum» reúne projetos desenvolvidos no âmbito das residências de investigação artística do Mestrado em Artes Sonoras e Imagem da ESAD CR, realizadas em colaboração com a Associação Cultural OSSO, no território de São Gregório da Fanadia.

Estas residências pretendem ser um espaço de experimentação e reflexão coletiva, onde os alunos são desafiados a criar projetos de curta duração num contexto laboratorial, com a orientação de artistas convidados e o apoio dos professores do curso.

O livro documenta esta experiência, dando forma a um arquivo em progresso: não tanto uma compilação de resultados, mas sobretudo uma reflexão visual e discursiva sobre práticas criativas emergentes na intersecção entre investigação, pedagogia e território.

Ao reunir imagens, textos e fragmentos do processo, esta publicação tenta uma possível tradução do espaço criativo aberto pelas residências — estendendo-o e reinventando-o noutro meio.

Luís Costa

Economista e doutorando em Criação Artística pela Universidade de Aveiro, Instituto Politécnico do Porto e ESAD. Desde 2004, trabalha como curador e programador de práticas artísticas contemporâneas, artista sonoro e multimédia, e educador e animador cultural em contextos rurais.

É presidente da Binaural Nodar, uma associação dedicada à arte sonora e multimédia e à investigação social na zona rural de Viseu Dão Lafões, que já acolheu mais de 175 artistas sonoros/multimédia e investigadores sociais e ambientais. Coordenador do Arquivo Digital Binaural Nodar, um projeto de investigação, catalogação e mapeamento sonoro e audiovisual da memória coletiva das zonas rurais onde a associação opera, que conta com mais de 2000 documentos sonoros e audiovisuais e faz parte da rede europeia Tramontana de arquivos de memória das zonas montanhosas, que em 2020 ganhou o Prix Europa Nostra: Prémio do Património Cultural Europeu na categoria de investigação.

É autor/editor de doze livros dedicados à criação artística, especialmente som e media, em contextos rurais, etnografia rural e etnomusicologia, nomeadamente o catálogo «Três Anos em Nodar: Práticas Artísticas num Contexto Específico na Portugal Rural», que coeditou em 2011, o livro «Tales of Sonic Displacement: SoCCoS, a sound-based artist residency network», que coeditou em 2016, e o livro «Memoria Tramontana: Changes in rural Europe as seen by its inhabitants», que coeditou em 2019.

Ricardo Jacinto

Músico, artista visual e arquiteto com investigação artística e académica centrada na relação entre som e território em práticas transdisciplinares. É membro fundador e diretor artístico do coletivo OSSO e doutorado pelo Sonic Arts Research Center, Queens University Belfast.

Desde 1998, tem apresentado o seu trabalho em exposições individuais e coletivas, concertos e performances em Portugal e na Europa, e tem colaborado extensivamente com outros artistas, músicos, arquitetos e performers. A sua música foi editada pela Clean Feed, Shhpuma Records e Creative Sources. É representado pela Galeria Bruno Múrias e as suas instalações estão presentes em várias coleções nacionais: Fundação de Serralves, Caixa Geral de Depósitos, Fundação Leal Rios ou Fundação António Cachola. Foi co-representante de Portugal na 10.ª Bienal de Arquitetura de Veneza 2006 e o seu trabalho foi apresentado em diferentes locais, tais como Culturgest (Lisboa e Porto), Fundação Serralves, Fundação Calouste Gulbenkian, Palais de Tokyo, Mudam, Teatro Maria Matos, Museo Vostell, Casa da Música, CCB, Manifesta 08_Bienal Europeia de Arte Contemporânea, Frac Loraine_Metz ou OK CENTRE_Linz, entre outros.

Susana Nascimento Duarte

Susana Nascimento Duarte é professora associada de cinema e vídeo na ESAD CR/IPL, onde coordena o mestrado em artes do som e da imagem. É doutorada em «Cinema e Televisão» pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH/UNL).

É membro investigador do Cinelab – Laboratório de Cinema – do Instituto de Filosofia da Universidade Nova (IFILNOVA/FCSH/Universidade Nova de Lisboa). Atualmente, é co-investigadora principal do projeto de investigação exploratório financiado «Mediando o real. Filosofia e cinema documental» (IFILNOVA/FCSH/UNL).

Integrou os projetos de investigação «Cinema e filosofia. Mapeando um encontro» (IFILNOVA/FCSH/UNL, 2008-2013), «Falso movimento: Estudos sobre Escrita e Cinema» (CEC/FLUL, 2010-2015) e «Fragmentação e Reconfiguração: experimentar a cidade entre a arte e a filosofia» (IFILNOVA/FCSH/UNL, 2018-2022).

No âmbito da sua atividade de investigação e ensino, publicou vários artigos, entrevistas e capítulos de livros, apresentou várias comunicações em colóquios, seminários, conferências e festivais, bem como organizou colóquios, seminários, mesas redondas, aulas abertas e masterclasses e residências artísticas.

Tem trabalhado as relações entre imagens técnicas e perceção, os pensamentos do figural, na intersecção entre artes plásticas e cinema, práticas arquivísticas e contra-arquivísticas, e atualmente investiga a estética das imagens documentais e o cinema como potencial ferramenta arqueológica para o exercício de uma crítica da cultura digital e do mundo contemporâneo, no contexto das práticas artísticas «pós-cinemáticas».

Foi uma das programadoras da Série de Encontros «O que é o Arquivo?», organizada pela Videoteca/Arquivo Municipal de Lisboa, e dos Laboratórios Arte-Arquivo (Fundação Calouste Gulbenkian, 2017), Cinema-Arquivo (Cinemateca Portuguesa, 2018) e Cidade-Arquivo (Biblioteca de Marvila, 2019).

É editora de entrevistas da revista Cinema: Journal of Philosophy and the Moving Image.

Coeditou Images of the Real. Philosophy and Documentary Film, um número especial da revista Cinema: Journal of Philosophy and the Moving Image 12 (2020). Trabalha também como realizadora, desde 1996, tendo realizado filmes como Materiais de Construção (2001), Atelier (2011) e Jardim de Infância (2023).

Fotografia de João Quirino.

A Binaural Nodar é uma entidade cultural apoiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto | Direção-Geral das Artes.