A instalação multimédia interativa “A Menina do Rio” parte de uma analogia da memória, construída a partir de lembranças afetivas em ambientes domésticos.
O trabalho baseia-se nas memórias da avó materna da criadora, que, através das suas ligações pessoais, reescreveu a sua própria narrativa.

A ausência da figura masculina provedora e a autonomia financeira das mulheres surgem como temas centrais da instalação, realçados por dispositivos tecnológicos que promovem a interação e reforçam o seu contexto.

Em “A Menina do Rio”, as antigas canções e os relatos fragmentados de um quotidiano ligado ao rio ajudam a construir identidades que evocam o feminino e remetem para um passado melancólico. Desta forma, a ação encarnada no processo artístico permite reconfigurar memórias afetivas através da imaginação e resignificar o passado no presente.

A instalação estabelece uma relação simbólica com a aldeia de Várzea de Calde, nomeadamente através da presença de materiais como o linho e das memórias de paisagens ribeirinhas.

Os materiais da obra incluem uma máquina de costura interativa, obras bidimensionais em linho manufaturado, fotografia, um dedal, renda e um desenho sobre linho.

Maíra Ortins é uma artista multidisciplinar nascida na cidade do Recife em 1980. Radicou-se no Ceará e possui Graduação em Letras, UFC, (2006), sendo atualmente mestranda em Criação Artística Contemporânea pela Universidade de Aveiro, Portugal. Participou de vários salões e exposições coletivas e individuais pelo Brasil e exterior. A sua obra consta em acervos importantes de museus brasileiros e em instituições públicas no estrangeiro.

Prémios:
2024/ Prémio Internacional John Goto, ESMAD, Portugal
2020/ Prémio de aquisição – Secult Ce, Fortaleza, Brasil
2018/69º Salão de Abril-Fortaleza, Brasil
2009/ Prémio Desenho, Unifor Plástica, Fortaleza, Brasil