A exposição “A Carqueja no quotidiano de Várzea de Calde”, integrada na Festa da Carqueja, foi organizada pelo grupo de trabalho Várzea de Calde — Aldeia de Portugal e com curadoria de Binaural Nodar, em colaboração com a Câmara Municipal de Viseu (Viseu Cultura), a Junta de Freguesia de Calde, a Associação Cultural e Recreativa de Várzea de Calde, o Grupo Etnográfico de Trajes e Cantos de Várzea de Calde, o Instituto Politécnico de Viseu, os centros de investigação ID+ e LiDA e a rede europeia Tramontana, com financiamento do programa Creative Europe.

A exposição consistiu em três instalações artísticas complementares: uma instalação fotográfica de Liliana Silva que documenta todos os usos da carqueja identificados na aldeia de Várzea de Calde; uma instalação visual de Ana Margarida Ferreira que utiliza a própria carqueja e o desenho como expressões de textura e cor, bem como a passagem do tempo; e, finalmente, uma instalação sonora e vídeo de Luís Costa, integrada na sua investigação no âmbito do Programa de Doutoramento em Criação Artística (centros de investigação ID+ e LiDA), que estabelece uma ligação entre a carqueja e a ideia de comunidade (a montanha como espaço comum) e as relações interterritoriais (as plantas silvestres da montanha como característica da paisagem ibérica).

Ana Margarida Ferreira é técnica de produção e multimédia na Associação Cultural Binaural Nodar. É licenciada em Belas Artes, com especialização em Pintura, pela Faculdade de Belas Artes do Porto, e mestre em Criação Artística Contemporânea pela Universidade de Aveiro. Participou em várias exposições coletivas, nomeadamente “Da Sombra” (Ermesinde, Portugal, 2020), “Estado de Emergência” (Viseu, Portugal, 2021), “Entre Tempos e Lugares” (Aveiro, Portugal, 2022) e “Hippocampus” (Vilnius, Lituânia, 2023).

Liliana Silva é natural de Santo António, Funchal (Portugal). Em 2014, concluiu a licenciatura em Belas Artes, ramo Multimédia, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. No mesmo ano, ingressou no mestrado em Comunicação Multimédia, ramo Multimédia Interativa, na Universidade de Aveiro, que concluiu em 2016. Desde agosto de 2017, é responsável pela comunicação e multimédia na Binaural Nodar, onde tem estado intensamente envolvida em design gráfico, edição gráfica, gravação e edição de vídeo, design e montagem de exposições, entre outras áreas. Realizou o documentário “À eira: o centeio que resiste em Campia” (2020). “Templo erguido: a história da igreja nova de São Miguel do Mato” (2022), “Rebordinho: Uma aldeia retratada” (2023) e “A valorização dos Baldios de Rebordinho e Malhadouro” (2024).

Luís Costa é investigador de doutoramento em criação artística na Universidade de Aveiro e na Escola Superior de Artes e Design (Caldas da Rainha). Desde 2004 que trabalha como curador e programador de práticas artísticas contemporâneas, bem como artista sonoro e multimédia. É fundador e coordenador da Binaural Nodar desde 2006. É autor/editor de doze livros dedicados à investigação artística, sonora e mediática, bem como à etnografia rural. Desde 2007, tem vindo a desenvolver uma intensa atividade de criação sonora e audiovisual em contextos rurais, através da qual reflete sobre as especificidades e as mudanças paisagísticas, sociais e culturais dos lugares.