OUVIR, TOCAR E IMAGINAR O BARRO NEGRO
Residência artística
19 agosto – 7 setembro 2025
Ribolhos (Castro Daire, Portugal)
Com Ana Carucci (Argentina)
Durante a residência artística “Ouvir, tocar e imaginar o barro negro”, que decorreu de 19 de agosto a 7 de setembro de 2025 na aldeia de Ribolhos, Ana Carucci desenvolveu um trabalho que entrelaçou cerâmica, som e memória material, tendo como ponto de partida a técnica ancestral do barro negro e a sua ligação profunda ao entorno natural da região. Esta residência artística integrou-se igualmente no projeto Rede Tramontana, cofinanciado pelo programa Europa Criativa da União Europeia.
A artista argentina radicada em Espanha criou uma série de objetos cerâmicos que funcionavam simultaneamente como instrumentos sonoros e esculturas, peças que desafiavam a categorização tradicional ao sugerirem utilidade ou a contradizerem, ativando um espaço poético entre o funcional e o inútil, o quotidiano e o simbólico. Algumas dessas peças tinham apitos, outras apresentavam ranhuras, texturas e corpos vibratórios que exploravam sons ténues, secos, ásperos, agudos ou ressonantes, aproximando-se de idiofones de fricção.
A artista refletiu sobre a transformação do barro negro de Ribolhos, que passou de um material utilitário a um símbolo representativo a partir da chegada do plástico, explorando as formas como as regras de uso dos objetos se expandem, confundem e sobrepõem, abrindo espaço para relações mais sensíveis e vivas com esses objetos. O trabalho de Ana Carucci centrou-se na relação entre natureza e cultura, tomando a argila como um material vivo e carregado de história, filtrado pela sua experiência tátil e pelo presente.
No domingo, 7 de setembro, entre as 10h00 e as 13h00, realizou-se o evento comunitário “Uma manhã com o barro negro” na Oficina do Barro Negro de Ribolhos, a funcionar numa das salas da antiga escola primária da aldeia. O evento reuniu a comunidade local e o público numa celebração diversificada e gratuita da tradição do barro negro, incluindo uma rota pedestre interpretada pelo oleiro local Jorge Ferreira, herdeiro direto da tradição e responsável pela divulgação do seu trabalho na Oficina. Foi também inaugurada a instalação artística de Ana Carucci e foram apresentados novos conteúdos da Oficina do Barro Negro, tendo os participantes tido a oportunidade de experimentar a moldagem do barro negro com Jorge Ferreira.
O evento, coproduzido pela Binaural Nodar, o Município de Castro Daire e a União de Freguesias de Mamouros, Alva e Ribolhos, integrou-se nas atividades da Rede Tramontana, fortalecendo o diálogo entre tradição e contemporaneidade, cultura local e prática artística internacional.
Fotografias de Nely Ferreira, Ana Ferreira e Liliana Silva para a Binaural Nodar.
A Binaural Nodar é uma entidade cultural apoiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto | Direção Geral das Artes.