{"id":16409,"date":"2023-02-16T17:21:10","date_gmt":"2023-02-16T17:21:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news?page_id=16409"},"modified":"2023-03-07T12:34:47","modified_gmt":"2023-03-07T12:34:47","slug":"martin-baus","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/martin-baus","title":{"rendered":"Martin Baus"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container has-pattern-background has-mask-background nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1144px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p>Martin Baus \u00e9 um artista multim\u00e9dia, cineasta, m\u00fasico, artista sonoro, investigador, educador e curador nascido no Chile. Possui um bacharelato em Ci\u00eancias Sociais com especializa\u00e7\u00e3o em Est\u00e9tica Cinematogr\u00e1fica e Literatura (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Chile) e uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em LAV: Laborat\u00f3rio Audiovisual de Cria\u00e7\u00e3o e Pr\u00e1ticas Contempor\u00e2neas (Madrid). Mora na cidade de Guayaquil, onde codirige o projeto de pesquisa cartogr\u00e1fica Guayaquil Anal\u00f3gico e os encontros cinematogr\u00e1ficos Rial\u00e9cticas.<\/p>\n<p>\u00c9 membro do coletivo CEIS8, dedicado \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica e processos fotoqu\u00edmicos, e colaborador da revista de estudos de cinema laFuga, ambos sediados em Santiago do Chile.<\/p>\n<p>O seu trabalho art\u00edstico investiga as rela\u00e7\u00f5es entre hist\u00f3ria, materialismo e perce\u00e7\u00e3o, com especial destaque na experimenta\u00e7\u00e3o sonora e no trabalho com filmes e arquivos textuais. Ministrou cursos na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Chile, na Universidade das Artes do Equador, na Universidade Cat\u00f3lica de Guayaquil, no Festival de Cinema C\u00e2mara L\u00facida, no Festival ULTRAcinema no M\u00e9xico e na Galeria Arte Actual de Flacso em Quito, entre outros.<\/p>\n<div class=\"bg-margin-for-link\"><input type='hidden' bg_collapse_expand='6a721f9d94d699099113405' value='6a721f9d94d699099113405'><input type='hidden' id='bg-show-more-text-6a721f9d94d699099113405' value='Mostrar mais'><input type='hidden' id='bg-show-less-text-6a721f9d94d699099113405' value='Mostrar menos'><a id='bg-showmore-action-6a721f9d94d699099113405' class='bg-showmore-plg-link bg-arrow '  style=\" color:#4a4949;;\" href='#'>Mostrar mais<\/a><div id='bg-showmore-hidden-6a721f9d94d699099113405' ><\/p>\n<h3><strong>CLARIAUDI\u00caNCIAS<br \/>\n<\/strong><strong>NOTA PRELIMINAR<\/strong><\/h3>\n<p>A W.S.D.A (Sociedade Mundial de Arqueologia Digital, no original World Society for Digital Archaeology) \u00e9 respons\u00e1vel por uma prospe\u00e7\u00e3o e pesquisa a decorrer na \u00e1rea n\u00ba 4040755 da antiga Internet Interface Sphere (conhecida como Internetsphere), correspondente a cerca de 508 km2 no 40o 40&#8217;N 7055 &#8216;W dos par\u00e2metros da esfera global: o antigo territ\u00f3rio portugu\u00eas.<\/p>\n<p>O primeiro procedimento para nos envolvermos com a se\u00e7\u00e3o exposta e extrair dados \u00e9 o que designamos de \u201cp\u00e1 e picareta\u201d. Quase como uma escava\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica cl\u00e1ssica, mas com ferramentas digitais e t\u00e9cnicas de programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um primeiro res\u00edduo criptografado foi encontrado na se\u00e7\u00e3o ou superf\u00edcie exposta do chamado WASTELAND # 404, flutuando entre as camadas de 215.0 e 232.0 pix\u00e9is quadrados de profundidade.<\/p>\n<p>Tivemos de recorrer \u00e0 tecnologia normalmente utilizada em levantamentos de dados obsoletos. Depois de usar o software Bit locker 7.0 (agora obsoleto), conseguimos recuperar e aceder aos dados criptografados.<\/p>\n<p>O que encontr\u00e1mos foi um ficheiro de \u00e1udio altamente decomposto, o que na arqueologia cl\u00e1ssica \u00e9, habitualmente, designado de \u201cprofundamente deteriorado\u201d. 00:02:34 de dura\u00e7\u00e3o, tom alto, ru\u00eddo granulado, em forma de onda curta. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer se corresponde a uma grava\u00e7\u00e3o de som ou a outro tipo de ficheiro de \u00e1udio, mas pelas suas carater\u00edsticas de codifica\u00e7\u00e3o e compress\u00e3o, podemos deduzir que pode tratar-se de um arquivo .MP3. Quem sabe o que se perdeu com a mudan\u00e7a da rede algor\u00edtmica dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<h3><strong>Relat\u00f3rio n\u00ba 1\/ Sinos e p\u00e1ssaros<br \/>\nData: 28.10.2322<\/strong><\/h3>\n<p>Descendo mais 50.0 pix\u00e9is, a natureza dos estratos torna-se cada vez mais complexa. A densidade dos dados mudou, assim como o estado de preserva\u00e7\u00e3o da estrutura dos mesmos. Encontr\u00e1mos mais tr\u00eas arquivos que puderam ser recuperados com o mesmo software. Eram tamb\u00e9m tr\u00eas ficheiros de \u00e1udio.<\/p>\n<p>A qualidade da preserva\u00e7\u00e3o melhorou, embora haja ainda evid\u00eancias de desgaste. Pelo que mostra a cartografia fornecida pela antiga equipa de mapeamento de levantamento de dados na WASTELAND#404, talvez n\u00e3o estejamos a chegar a algum material que deveria ser ali encontrado. \u00c9 muito prov\u00e1vel que estejamos at\u00e9 mesmo a destruir recursos devido \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do procedimento de \u201cp\u00e1 e picareta\u201d, pois encontr\u00e1mos pequenos fragmentos de som ileg\u00edveis que podem ser resultado da rutura de camadas de dados causada pela escava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O primeiro arquivo de \u00e1udio mostra o que parece ser um tipo de campainha de alarme. Isso pode significar que ainda havia formas religiosas de controlo social relacionadas com o som e uma organiza\u00e7\u00e3o social baseada no tempo. \u00c9, certamente, ainda prematuro especular.<\/p>\n<p>Os sinos parecem ser constru\u00eddos em materiais met\u00e1licos, como a maioria dos sinos da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e da Europa Ocidental. A melodia \u00e9 repetitiva e os diferentes sinos criam uma esp\u00e9cie de harmonia dentro das diferentes melodias que cada um toca. H\u00e1 reverbera\u00e7\u00e3o, embora soe como um espa\u00e7o aberto. O eco dos sinos dura 23 segundos. Quase nenhum outro som \u00e9 ouvido, al\u00e9m de alguns p\u00e1ssaros.<\/p>\n<p>Sabe-se que se encontrarmos este tipo de dados numa determinada \u00e1rea da Internetsfera, as possibilidades de haver um espa\u00e7o habitado por humanos tornam-se maiores. Pode haver mais do que uma camada cultural sob a se\u00e7\u00e3o exposta, mas para poder comprovar isso s\u00e3o necess\u00e1rios um novo m\u00e9todo e novas ferramentas.<\/p>\n<p>Nos restantes arquivos estavam presentes sons de p\u00e1ssaros. Pelo que pudemos apurar atrav\u00e9s dos aspetos t\u00e9cnicos das grava\u00e7\u00f5es, provavelmente eram aves de pequeno porte que viviam entre os humanos. Podemos ouvi-los perto do dispositivo de grava\u00e7\u00e3o de som utilizado. De alguma forma, parece que a rela\u00e7\u00e3o entre o sujeito que grava e os p\u00e1ssaros \u00e9 de proximidade. H\u00e1 confian\u00e7a por parte das aves que se aproximam muito da fonte de grava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Envi\u00e1mos o arquivo para a E.F.A.R.O. (Organiza\u00e7\u00e3o para a Investiga\u00e7\u00e3o de Animais Voadores em Extin\u00e7\u00e3o, no original Extinct Flying Animals Research Organization) para ver se podem juntar mais informa\u00e7\u00f5es sobre as esp\u00e9cies e respetiva taxonomia, atrav\u00e9s do seu Software de Reconhecimento de P\u00e1ssaros.<\/p>\n<p>Neste tipo de situa\u00e7\u00f5es, surge sempre a d\u00favida de quem poder\u00e1 ter feito as grava\u00e7\u00f5es. E porqu\u00ea. Esta segunda pergunta pode ser respondida atrav\u00e9s de novos achados.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos extrair informa\u00e7\u00f5es destes ficheiros de \u00e1udio sobre as rela\u00e7\u00f5es homem-animal (especificamente homem-p\u00e1ssaro) num determinado per\u00edodo de tempo e espa\u00e7o?<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ir mais fundo e come\u00e7ar a expandir o di\u00e2metro da escava\u00e7\u00e3o para encontrarmos correspond\u00eancias entre as camadas de material. Isso pode levar-nos a dados mais antigos, mas tamb\u00e9m, pela nossa experi\u00eancia nos \u00faltimos 10 anos de escava\u00e7\u00f5es na Internetsphere, aos materiais digitais que tendem a deslocar-se durante a decomposi\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo ultrapassando os par\u00e2metros de altitude-latitude.<\/p>\n<p>Isso significa que ainda n\u00e3o podemos associar os recursos com o local nos seus par\u00e2metros de esfera global. Seria uma esp\u00e9cie do Arquivo de Hist\u00f3ria Natural do territ\u00f3rio portugu\u00eas? Far\u00e1 parte de um dep\u00f3sito nacional de pesquisa cient\u00edfica?<\/p>\n<h3><strong>Relat\u00f3rio n\u00ba 2\/ O que a \u00e1gua pode dizer-nos<br \/>\nData: 04.11.2322<\/strong><\/h3>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Na segunda semana de investiga\u00e7\u00e3o decidimos tentar uma ferramenta diferente. O IGPR (Radar de Penetra\u00e7\u00e3o no Solo da Internet, no original Internet Ground Penetrating Radar) permite-nos cobrir mais terreno e ir a maior profundidade. Ao mesmo tempo, n\u00e3o danifica a estrutura de dados, o que poderia levar a uma desconfigura\u00e7\u00e3o da matriz e deixar-nos apenas com fragmentos. Esta ferramenta funciona com pulsos de ondas de r\u00e1dio lan\u00e7adas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 se\u00e7\u00e3o exposta. Quando embatem em algo, conseguem recuperar-se. Esses dados s\u00e3o registados e analisados. A frequ\u00eancia utilizada foi de 40 megahertz para descer at\u00e9 aos 400.0 pix\u00e9is quadrados de profundidade.<\/p>\n<p>O primeiro ficheiro que encontr\u00e1mos foi um \u00e1udio com uma grava\u00e7\u00e3o de \u00e1gua em movimento. Soa como \u00e1guas rasas sobre uma superf\u00edcie rochosa. Provavelmente no meio de uma floresta. \u00c9 poss\u00edvel ouvir o vento a soprar as folhas e diferentes galhos da flora envolvente. Dada a dist\u00e2ncia a partir da qual podemos ouvir o som das folhas, podemos distinguir tanto \u00e1rvores altas como arbustos baixos. Tamb\u00e9m insetos e alguns p\u00e1ssaros. O mesmo tipo de p\u00e1ssaros do \u00faltimo recurso, mas mais distante.<\/p>\n<p>Tendo em conta a profundidade do s\u00edtio arqueodigital em escava\u00e7\u00e3o, podemos deduzir que os ficheiros aqui encontrados t\u00eam pelo menos dois mil e cinquenta anos. Mas ainda n\u00e3o temos certezas quanto \u00e0 fun\u00e7\u00e3o do site de pesquisa. Nenhum idioma \u00e9 falado nas grava\u00e7\u00f5es. Nada de \u201cm\u00fasica folcl\u00f3rica\u201d. N\u00e3o h\u00e1 qualquer pista cultural, al\u00e9m de um interesse ou mesmo rever\u00eancia pela natureza e os seus sons.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as liga\u00e7\u00f5es entre os sinos e os p\u00e1ssaros, os sinos e a \u00e1gua? E, mais importante, qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre o sujeito da grava\u00e7\u00e3o (que assumimos ser humano) e essas paisagens e objetos sonoros? Qual \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o por detr\u00e1s dessas grava\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, al\u00e9m da grava\u00e7\u00e3o de sinos, encontr\u00e1mos, sobretudo, paisagens sonoras naturais. O que \u00e9 comum em todas as grava\u00e7\u00f5es \u00e9 o ponto fixo de grava\u00e7\u00e3o, que nos remete para uma perspetiva fixa de escuta. A aus\u00eancia de movimento na forma de registo leva-nos a questionar a pr\u00f3pria presen\u00e7a humana por detr\u00e1s das grava\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao assumirmos que podemos descrever uma \u201cmotiva\u00e7\u00e3o\u201d, estamos tamb\u00e9m a assumir uma perspetiva humana nas grava\u00e7\u00f5es. Ao fazer isso, damos tamb\u00e9m por garantido que podemos encontrar o comportamento social humano dentro destes recursos. Se forem grava\u00e7\u00f5es de uma m\u00e1quina mais complexa baseada num sistema de monitoriza\u00e7\u00e3o, do qual estamos a obter apenas fragmentos que n\u00e3o nos permitem observar a magnitude e o funcionamento do aparelho, talvez estejamos a perder o sentido desses arquivos de \u00e1udio.<\/p>\n<h3><strong>Relat\u00f3rio n\u00ba 3\/ Conhecimento n\u00e3o fixo<br \/>\nData: 18.11.2322<\/strong><\/h3>\n<p>Continuando o trabalho com o sistema IGPR, nas \u00faltimas duas semanas aproxim\u00e1mo-nos de uma regi\u00e3o muito densa de informa\u00e7\u00f5es. O que poder\u00edamos chamar de \u201cfonte ampla\u201d de dados. V\u00e1rios arquivos foram encontrados e parecem corresponder a um n\u00facleo de origem mais pr\u00f3ximo. Todos os dez arquivos encontrados t\u00eam em comum o tema gravado: \u00e1gua. Parece ser a mesma fonte de \u00e1gua, provavelmente um rio, mas a abordagem muda a cada grava\u00e7\u00e3o. Poder\u00edamos at\u00e9 dizer que a tecnologia utilizada em cada grava\u00e7\u00e3o varia. Um ficheiro espec\u00edfico chamou-nos a aten\u00e7\u00e3o: uma grava\u00e7\u00e3o debaixo de \u00e1gua feita com uma esp\u00e9cie de hidrofone.<\/p>\n<p>Noutro arquivo podemos ouvir um grupo grande de pessoas a nadar e a brincar na \u00e1gua, na maioria crian\u00e7as. As suas vozes transmitem alegria. Comparativamente com os ficheiros anteriores relacionados com a \u00e1gua, esta \u00e9 a primeira presen\u00e7a expl\u00edcita do homem e da sua rela\u00e7\u00e3o com este elemento. N\u00e3o temos a certeza se \u00e9 a mesma fonte de \u00e1gua (o rio que j\u00e1 t\u00ednhamos ouvido antes), mas as probabilidades s\u00e3o altas. Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o destas pessoas com a \u00e1gua? Por que\u00a0\u00e9 que a \u00e1gua se tornou um elemento t\u00e3o importante para registar nesta sociedade?<\/p>\n<p>\u00c9 interessante ouvir estes ficheiros que mostram um territ\u00f3rio onde a \u00e1gua estava muito presente. Podem dar-nos algumas ideias sobre a quantidade de fontes de \u00e1gua natural que este territ\u00f3rio possui (em contraste com a falta de fontes de \u00e1gua natural que temos hoje). Ao mesmo tempo, tendo em conta que, por volta daquela \u00e9poca, o aquecimento global &#8211; que levou \u00e0 consider\u00e1vel mudan\u00e7a clim\u00e1tica com a qual ainda estamos a lidar &#8211; estava num dos seus picos mais altos, tamb\u00e9m podem dar-nos uma ideia do qu\u00e3o preciosa era a \u00e1gua para esta sociedade.<\/p>\n<p>Talvez seja um erro pensar que uma enorme quantidade de fontes de \u00e1gua estava \u00e0 mostra naquele territ\u00f3rio, e que, pelo contr\u00e1rio, esta aten\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua (atrav\u00e9s dos registos sonoros que encontr\u00e1mos) pode ser lida como uma preocupa\u00e7\u00e3o pelo seu desaparecimento. Talvez estes ficheiros de \u00e1udio correspondam \u00e0 \u00fanica fonte de \u00e1gua da regi\u00e3o, e a insist\u00eancia em regist\u00e1-la responda a um desejo de preserv\u00e1-la de outra forma poss\u00edvel: como arquivo. Mas por que \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 representa\u00e7\u00f5es audiovisuais dessas fontes de \u00e1gua? Esse tipo de dados poderia mostrar-nos uma representa\u00e7\u00e3o mais direta do territ\u00f3rio que estamos a descobrir, enquanto o som pode manter-nos numa zona de indefini\u00e7\u00e3o e de conhecimento n\u00e3o fixo.<\/p>\n<p>Dado que encontr\u00e1mos apenas ficheiros de \u00e1udio, para podermos compreender as coisas a partir de uma perspectiva aural,temos de abandonar a pesquisa atrav\u00e9s de uma topografia fixa, e passar a procurar, efetivamente, as quest\u00f5es arqueol\u00f3gicas atrav\u00e9s de materiais sonoros. O que podemos entender de uma cultura, sociedade ou modo de vida que dependem \u00fanica e exclusivamente dos vest\u00edgios de uma atividade humana baseada no som?<\/p>\n<h3><strong>Relat\u00f3rio n\u00ba 4\/ Sons l\u00edquidos<br \/>\nData: 25.11.2322<\/strong><\/h3>\n<p>A principal atividade desta semana foi um di\u00e1logo especulativo entre os elementos da equipa de investiga\u00e7\u00e3o, procurando entender que tipo de solo estamos a \u201cpisar\u201d. Para poder, efetivamente, implantar uma pesquisa baseada no som, tent\u00e1mos dar um passo atr\u00e1s e questionar-nos sobre a natureza dos arquivos que encontr\u00e1mos nas \u00faltimas semanas de investiga\u00e7\u00e3o. Um dos paradoxos mais marcantes diz respeito \u00e0 aus\u00eancia de materiais visuais ao longo da escava\u00e7\u00e3o. Alguns membros sugerem que podemos estar a lidar com arquivos que costumavam ter uma base audiovisual, mas cujos aspectos visuais foram, devido ao tempo e \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o digital, apagados.<\/p>\n<p>Esta ideia \u00e9 baseada em alguns relat\u00f3rios publicados, nos \u00faltimos anos, pela equipa de investiga\u00e7\u00e3o arqueodigital da Universidade de Ci\u00eancias Audiovisuais da Cidade do M\u00e9xico. Basicamente, o que eles prop\u00f5em \u00e9 que os arquivos sonoros t\u00eam uma obsolesc\u00eancia mais curta e que, por conseguinte, as pe\u00e7as arqueo-sonoras tendem a ter uma vida \u00fatil mais longa do que aquelas baseadas em c\u00f3digos visuais. Os ficheiros baseados em forma de ondas parecem perpetuar o comportamento das ondas dentro da esfera da Internet e, ao faz\u00ea-lo, preservam o fluxo de informa\u00e7\u00f5es de maneira mais constante do que os ficheiros visuais. Essa const\u00e2ncia ativa as part\u00edculas dos sons l\u00edquidos, transformando-os numa esp\u00e9cie de ficheiro sempre presente. Como se nunca tivessem passado ao estado de arquivo mas continuassem a ressoar desde que aconteceu o evento-sonoro que \u201ccapturam\u201d e representam.<\/p>\n<p>Mas voltando \u00e0 quest\u00e3o da origem cultural e social do excerto que estamos a tratar, em certa medida, tudo indica que a origem destas grava\u00e7\u00f5es corresponde a uma investiga\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica ou geol\u00f3gica, e sabemos que, normalmente, as ferramentas usadas nestes g\u00e9neros de pesquisa incluem ferramentas gr\u00e1ficas, cartogr\u00e1ficas e audiovisuais. Se estivermos errados ao especular sobre a degrada\u00e7\u00e3o e desaparecimento das camadas visuais dentro dos arquivos, poder\u00edamos perguntar-nos: porqu\u00ea o som como meio de pesquisa?<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m levanta a quest\u00e3o de saber se estamos a lidar com material desenvolvido pelos habitantes do territ\u00f3rio ou por estrangeiros. At\u00e9 agora, assumimos que os sujeitos que poderiam ter feito essas grava\u00e7\u00f5es tinham uma rela\u00e7\u00e3o estreita com o territ\u00f3rio e que a mesma era mantida ao longo do tempo, mas, neste ponto da investiga\u00e7\u00e3o, todos os detalhes devem ser examinados.<\/p>\n<p>Mesmo que ainda n\u00e3o possamos afirmar com certeza que estes arquivos correspondem aos res\u00edduos de uma investiga\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da \u00e1rea (e isso teria em conta que podemos estar a perder dados visuais), quer seja feita por residentes ou estrangeiros, essa \u00e9 a opini\u00e3o mais consensual dentro da equipa de trabalho. Para eliminar outras possibilidades, tentaremos ir mais longe, partindo da hip\u00f3tese de que estamos perante um arquivo exclusivamente sonoro, e encontrar pistas que nos ajudem a identificar, mais concretamente, as origens, os temas e as motiva\u00e7\u00f5es por detr\u00e1s destes ficheiros.<\/p>\n<h3><strong>Relat\u00f3rio n\u00ba 5\/ Os sininhos e o ponteiro no gravador<br \/>\nData: 02.12.2322<\/strong><\/h3>\n<p>No in\u00edcio da \u00faltima semana de investiga\u00e7\u00e3o, encontr\u00e1mos mais de trinta novos arquivos, aumentando a frequ\u00eancia de megahertz do IGPR em 20,5 pontos, o que nos permitiu descer mais 600.0 pix\u00e9is quadrados de profundidade. Os ficheiros localizados estavam mais dispersos e num espetro espacial do campo de pesquisa mais amplo.<\/p>\n<p>Concentr\u00e1mo-nos num ficheiro espec\u00edfico que possui correspond\u00eancias interessantes com descobertas anteriores. Tanto a \u00e1gua quanto os sinos est\u00e3o presentes, mas expressos de uma maneira muito diferente.<\/p>\n<p>Pela primeira vez, a \u00e1gua \u00e9 mostrada noutro estado que n\u00e3o a corrente do rio: \u00e9 gravada enquanto chuva que cai no ch\u00e3o. J\u00e1 os sinos, por seu lado, diminu\u00edram de tamanho e j\u00e1 n\u00e3o parecem estar fixos a um elemento arquitet\u00f3nico, como uma igreja. Ao inv\u00e9s, apresentam formas de movimento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso &#8211; e antes de explicar as nossas descobertas &#8211; um achado importante da sec\u00e7\u00e3o da equipa que se concentrou em encontrar e reunir os res\u00edduos deixados pelo procedimento de &#8220;p\u00e1 e picareta&#8221;, que tent\u00e1mos no in\u00edcio da escava\u00e7\u00e3o, poderia aproximar-nos de defender e assumir a hip\u00f3tese dos \u201cmateriais exclusivamente sonoros\u201d.<\/p>\n<p>As margens e superf\u00edcies dos ficheiros foram rasgadas pelo atrito produzido pela escava\u00e7\u00e3o, deixando-nos apenas com uma parte desgastada do mesmo. Alguns dos fragmentos (que correspondem ao in\u00edcio e fim &#8211; ou caudas) ainda continham informa\u00e7\u00f5es intactas, o que nos permitiu analis\u00e1-los. O que pudemos descobrir \u00e9 que a maioria dos ficheiros encontrados corresponde a uma grava\u00e7\u00e3o feita pelo homem. Encontr\u00e1mos fragmentos que continham o que parecem ser os sons da manipula\u00e7\u00e3o da m\u00e3o sobre o gravador de som: o clique dos dedos para iniciar e terminar cada grava\u00e7\u00e3o. A fric\u00e7\u00e3o da pele contra os materiais pl\u00e1sticos de que \u00e9 feito o gravador.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m encontr\u00e1mos o som de passos no ch\u00e3o a aproximarem-se do que seria o gravador. Um ato deliberado em dire\u00e7\u00e3o ao som. Uma decis\u00e3o consciente de proximidade com certos eventos ou fen\u00f3menos sonoros.<\/p>\n<p>Por enquanto, podemos descartar a ideia de um dep\u00f3sito de arquivo n\u00e3o humano. Ao mesmo tempo, podemos reafirmar a hip\u00f3tese de um arquivo exclusivamente sonoro. Ainda n\u00e3o podemos ter a certeza das motiva\u00e7\u00f5es que originaram estas grava\u00e7\u00f5es, nem se fazem parte de uma esp\u00e9cie de investiga\u00e7\u00e3o sonora geogr\u00e1fica. E, talvez, nem dev\u00eassemos preocupar-nos em tentar responder a essas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois s\u00e9culos, numa publica\u00e7\u00e3o descartada como material cient\u00edfico pelos c\u00edrculos de investiga\u00e7\u00e3o sobre a arqueologia do som, encontr\u00e1mos uma hip\u00f3tese bastante sugestiva, que nos leva a repensar, por completo, o paradigma que estamos a enfrentar. Trata-se de um tratado, com n\u00e3o mais do que cinquenta p\u00e1ginas, intitulado &#8220;Clariaudi\u00eancias&#8221;, escrito pelo m\u00fasico catal\u00e3o, te\u00f3rico do som e agitador cultural V\u00edctor Nubla (1956-2020).<\/p>\n<p>Nele, o autor pergunta-se: E se toda m\u00fasica (entendida no sentido mais amplo da palavra) for apenas um mapa lan\u00e7ado para o futuro que permitir\u00e1 que as pessoas viajem no passado atrav\u00e9s do som?<\/p>\n<p>E se?&#8230;<\/p>\n<p>Talvez seja atrav\u00e9s de um pensamento musical que devamos prosseguir nesta investiga\u00e7\u00e3o. Provavelmente, n\u00e3o estamos a lidar com um territ\u00f3rio definido &#8211; com um terreno fixo -, mas com uma maneira de nos movermos e viajarmos atrav\u00e9s dele. Estamos diante de um mapa, um mapa afetivo, que n\u00e3o precisa de ser examinado e analisado como um f\u00f3ssil, como mat\u00e9ria morta. Trata-se de uma mat\u00e9ria cujas ondas e frequ\u00eancias transbordam uma no\u00e7\u00e3o linear do tempo e se nos revelam como um puro presente.<\/p>\n<p>Temos de percorrer o mapa.<\/p>\n<p>J\u00e1 sobre os sininhos encontrados no ficheiro acima citado, podemos apenas dizer que correspondem a sinos de animais. Com mais an\u00e1lises, esses sinos podem ajudar-nos a entender perante que tipo de sociedade estamos (sedent\u00e1ria ou n\u00f3mada, carn\u00edvora ou vegetariana, at\u00e9 mesmo em que tipo de rela\u00e7\u00f5es interesp\u00e9cies viveu) e como a mesma se relaciona com o ato de gravar o som.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 chuva, podemos apenas dizer que \u00e9 um dos principais elementos nutritivos que poderia ter evitado a situa\u00e7\u00e3o que, hoje em dia, enfrentamos. Foi um prazer ouvir um som que, atualmente, est\u00e1 extinto.<\/p>\n<p><\/div><\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":8,"featured_media":16439,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"footnotes":""},"class_list":["post-16409","page","type-page","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"aioseo_notices":[],"aioseo_head":"\n\t\t<!-- All in One SEO 5.0.0.1 - aioseo.com -->\n\t<meta name=\"description\" content=\"Martin Baus \u00e9 um artista multim\u00e9dia, cineasta, m\u00fasico, artista sonoro, investigador, educador e curador nascido no Chile. Possui um bacharelato em Ci\u00eancias Sociais com especializa\u00e7\u00e3o em Est\u00e9tica Cinematogr\u00e1fica e Literatura (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Chile) e uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em LAV: Laborat\u00f3rio Audiovisual de Cria\u00e7\u00e3o e Pr\u00e1ticas Contempor\u00e2neas (Madrid). Mora na cidade de Guayaquil, onde codirige\" \/>\n\t<meta name=\"robots\" content=\"max-image-preview:large\" \/>\n\t<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/martin-baus\" \/>\n\t<meta name=\"generator\" content=\"All in One SEO (AIOSEO) 5.0.0.1\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:site_name\" content=\"binauralmedia.org - Rural Based Sound\/Media Arts &amp; Social Research\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:title\" content=\"Martin Baus - binauralmedia.org\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:description\" content=\"Martin Baus \u00e9 um artista multim\u00e9dia, cineasta, m\u00fasico, artista sonoro, investigador, educador e curador nascido no Chile. Possui um bacharelato em Ci\u00eancias Sociais com especializa\u00e7\u00e3o em Est\u00e9tica Cinematogr\u00e1fica e Literatura (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Chile) e uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em LAV: Laborat\u00f3rio Audiovisual de Cria\u00e7\u00e3o e Pr\u00e1ticas Contempor\u00e2neas (Madrid). Mora na cidade de Guayaquil, onde codirige\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/martin-baus\" \/>\n\t\t<meta property=\"article:published_time\" content=\"2023-02-16T17:21:10+00:00\" \/>\n\t\t<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2023-03-07T12:34:47+00:00\" \/>\n\t\t<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n\t\t<meta name=\"twitter:title\" content=\"Martin Baus - binauralmedia.org\" \/>\n\t\t<meta name=\"twitter:description\" content=\"Martin Baus \u00e9 um artista multim\u00e9dia, cineasta, m\u00fasico, artista sonoro, investigador, educador e curador nascido no Chile. Possui um bacharelato em Ci\u00eancias Sociais com especializa\u00e7\u00e3o em Est\u00e9tica Cinematogr\u00e1fica e Literatura (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Chile) e uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em LAV: Laborat\u00f3rio Audiovisual de Cria\u00e7\u00e3o e Pr\u00e1ticas Contempor\u00e2neas (Madrid). Mora na cidade de Guayaquil, onde codirige\" \/>\n\t\t<script type=\"application\/ld+json\" class=\"aioseo-schema\">\n\t\t\t{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/martin-baus#breadcrumblist\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news#listItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\",\"nextItem\":{\"@type\":\"ListItem\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/martin-baus#listItem\",\"name\":\"Martin Baus\"}},{\"@type\":\"ListItem\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/martin-baus#listItem\",\"position\":2,\"name\":\"Martin Baus\",\"previousItem\":{\"@type\":\"ListItem\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news#listItem\",\"name\":\"Home\"}}]},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/#organization\",\"name\":\"binauralmedia.org\",\"description\":\"Rural Based Sound\\\/Media Arts & Social Research\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/martin-baus#webpage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/martin-baus\",\"name\":\"Martin Baus - binauralmedia.org\",\"description\":\"Martin Baus \\u00e9 um artista multim\\u00e9dia, cineasta, m\\u00fasico, artista sonoro, investigador, educador e curador nascido no Chile. Possui um bacharelato em Ci\\u00eancias Sociais com especializa\\u00e7\\u00e3o em Est\\u00e9tica Cinematogr\\u00e1fica e Literatura (Pontif\\u00edcia Universidade Cat\\u00f3lica de Chile) e uma p\\u00f3s-gradua\\u00e7\\u00e3o em LAV: Laborat\\u00f3rio Audiovisual de Cria\\u00e7\\u00e3o e Pr\\u00e1ticas Contempor\\u00e2neas (Madrid). Mora na cidade de Guayaquil, onde codirige\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/#website\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/martin-baus#breadcrumblist\"},\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/wp-content\\\/uploads\\\/MARTIN_BAUS.jpg\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/martin-baus\\\/#mainImage\",\"width\":1200,\"height\":675},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/martin-baus#mainImage\"},\"datePublished\":\"2023-02-16T17:21:10+00:00\",\"dateModified\":\"2023-03-07T12:34:47+00:00\"},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/\",\"name\":\"binauralmedia.org\",\"description\":\"Rural Based Sound\\\/Media Arts & Social Research\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.binauralmedia.org\\\/news\\\/#organization\"}}]}\n\t\t<\/script>\n\t\t<!-- All in One SEO -->\n\n","aioseo_head_json":{"title":"Martin Baus - binauralmedia.org","description":"Martin Baus \u00e9 um artista multim\u00e9dia, cineasta, m\u00fasico, artista sonoro, investigador, educador e curador nascido no Chile. Possui um bacharelato em Ci\u00eancias Sociais com especializa\u00e7\u00e3o em Est\u00e9tica Cinematogr\u00e1fica e Literatura (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Chile) e uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em LAV: Laborat\u00f3rio Audiovisual de Cria\u00e7\u00e3o e Pr\u00e1ticas Contempor\u00e2neas (Madrid). Mora na cidade de Guayaquil, onde codirige","canonical_url":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/martin-baus","robots":"max-image-preview:large","keywords":"","webmasterTools":{"miscellaneous":""},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/martin-baus#breadcrumblist","itemListElement":[{"@type":"ListItem","@id":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news#listItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news","nextItem":{"@type":"ListItem","@id":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/martin-baus#listItem","name":"Martin Baus"}},{"@type":"ListItem","@id":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/martin-baus#listItem","position":2,"name":"Martin Baus","previousItem":{"@type":"ListItem","@id":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news#listItem","name":"Home"}}]},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/#organization","name":"binauralmedia.org","description":"Rural Based Sound\/Media Arts & Social Research","url":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/martin-baus#webpage","url":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/martin-baus","name":"Martin Baus - binauralmedia.org","description":"Martin Baus \u00e9 um artista multim\u00e9dia, cineasta, m\u00fasico, artista sonoro, investigador, educador e curador nascido no Chile. Possui um bacharelato em Ci\u00eancias Sociais com especializa\u00e7\u00e3o em Est\u00e9tica Cinematogr\u00e1fica e Literatura (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Chile) e uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em LAV: Laborat\u00f3rio Audiovisual de Cria\u00e7\u00e3o e Pr\u00e1ticas Contempor\u00e2neas (Madrid). Mora na cidade de Guayaquil, onde codirige","inLanguage":"pt-PT","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/#website"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/martin-baus#breadcrumblist"},"image":{"@type":"ImageObject","url":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-content\/uploads\/MARTIN_BAUS.jpg","@id":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/martin-baus\/#mainImage","width":1200,"height":675},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/martin-baus#mainImage"},"datePublished":"2023-02-16T17:21:10+00:00","dateModified":"2023-03-07T12:34:47+00:00"},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/#website","url":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/","name":"binauralmedia.org","description":"Rural Based Sound\/Media Arts & Social Research","inLanguage":"pt-PT","publisher":{"@id":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/#organization"}}]},"og:locale":"pt_PT","og:site_name":"binauralmedia.org - Rural Based Sound\/Media Arts &amp; Social Research","og:type":"article","og:title":"Martin Baus - binauralmedia.org","og:description":"Martin Baus \u00e9 um artista multim\u00e9dia, cineasta, m\u00fasico, artista sonoro, investigador, educador e curador nascido no Chile. Possui um bacharelato em Ci\u00eancias Sociais com especializa\u00e7\u00e3o em Est\u00e9tica Cinematogr\u00e1fica e Literatura (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Chile) e uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em LAV: Laborat\u00f3rio Audiovisual de Cria\u00e7\u00e3o e Pr\u00e1ticas Contempor\u00e2neas (Madrid). Mora na cidade de Guayaquil, onde codirige","og:url":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/martin-baus","article:published_time":"2023-02-16T17:21:10+00:00","article:modified_time":"2023-03-07T12:34:47+00:00","twitter:card":"summary_large_image","twitter:title":"Martin Baus - binauralmedia.org","twitter:description":"Martin Baus \u00e9 um artista multim\u00e9dia, cineasta, m\u00fasico, artista sonoro, investigador, educador e curador nascido no Chile. Possui um bacharelato em Ci\u00eancias Sociais com especializa\u00e7\u00e3o em Est\u00e9tica Cinematogr\u00e1fica e Literatura (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Chile) e uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em LAV: Laborat\u00f3rio Audiovisual de Cria\u00e7\u00e3o e Pr\u00e1ticas Contempor\u00e2neas (Madrid). Mora na cidade de Guayaquil, onde codirige"},"aioseo_meta_data":[],"aioseo_breadcrumb":"<div class=\"aioseo-breadcrumbs\"><span class=\"aioseo-breadcrumb\">\n\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\" title=\"Home\">Home<\/a>\n\t\t<\/span><span class=\"aioseo-breadcrumb-separator\">&raquo;<\/span><span class=\"aioseo-breadcrumb\">\n\t\t\tMartin Baus\n\t\t<\/span><\/div>","aioseo_breadcrumb_json":[{"label":"Home","link":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news"},{"label":"Martin Baus","link":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/martin-baus"}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/16409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16409"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/16409\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16586,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/16409\/revisions\/16586"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}