{"id":20563,"date":"2023-12-28T12:33:11","date_gmt":"2023-12-28T12:33:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news?post_type=avada_portfolio&#038;p=20563"},"modified":"2023-12-29T00:01:19","modified_gmt":"2023-12-29T00:01:19","slug":"ana-rodriguez-gotas-de-agua-hidratacao-de-memorias-e-arquivos-digitais","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/arquivo\/portfolio-items\/ana-rodriguez-gotas-de-agua-hidratacao-de-memorias-e-arquivos-digitais","title":{"rendered":"Ana Rodr\u00edguez: Gotas de \u00e1gua. Hidrata\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias e arquivos digitais"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1144px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p style=\"text-align: center;\"><strong>Gotas de \u00e1gua. Hidrata\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias e arquivos digitais *<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ana Rodr\u00edguez<br \/>\n<\/strong>Antrop\u00f3loga, Coordenadora do Mapa Sonoro de Uruguay<\/p>\n<p>Na casa da minha fam\u00edlia, em Montevideu, h\u00e1 um m\u00f3vel de madeira envernizada com gavetas planas, que sempre foi chamado de arquivo. Lembro-me do som que algumas das suas gavetas faziam quando deslizavam sobre o carril que as suportava; agora que penso nisso, muito semelhante ao som de uma escova de madeira. N\u00e3o eram aparas, mas o cheiro dos pap\u00e9is. Entre esses pap\u00e9is havia mapas das cidades onde os meus pais estiveram quando eu era crian\u00e7a. Lembro-me tamb\u00e9m das cartas aeron\u00e1uticas em tons pastel que o meu pai sabia ler, das fotografias a preto e branco e dos diapositivos dessas viagens, que ocasionalmente volt\u00e1vamos a ver, por vezes com algu\u00e9m que nos visitava, projetados no meu quarto escuro. Versailles, ouro por todo o lado, grandes constru\u00e7\u00f5es arquitet\u00f3nicas, uma pra\u00e7a algures no Reino Unido onde, num dia de chuva, algu\u00e9m regava o jardim com um guarda-chuva e uma mangueira.<\/p>\n<p>Nunca me interessei por mapas de cidades, nem sou pr\u00e1tica com eles. Tamb\u00e9m me lembro das dobras descascadas e por vezes rasgadas pelo uso. Eu tamb\u00e9m arquivo. Hoje, quase todos n\u00f3s arquivamos e somos arquivados (Blasco, 2009). Talvez por uma certa tend\u00eancia para fugir ao aqui e agora, por gula de hist\u00f3rias ou para compreender onde est\u00e3o os meus p\u00e9s, pergunto-me muitas vezes como era o bairro onde vivo, a t\u00e3o poucos metros do encontro com os usos rurais do espa\u00e7o e da terra. Hoje \u00e9 uma cidade, mas h\u00e1 uns anos atr\u00e1s eram vinhas. O autocarro passa, mas por vezes vagueiam cavalos e vacas que se libertam das suas amarras e saem em busca dos interst\u00edcios de relva, entre as casas e a rua, que ainda n\u00e3o est\u00e3o cobertos pelo rio de cimento canalizado pelas pol\u00edticas p\u00fablicas e por uma conce\u00e7\u00e3o muito particular de progresso.<\/p>\n<p>Quem tem a imensa sorte de trabalhar naquilo que gosta e tem provas suficientes de que o seu trabalho \u00e9 valorizado por aqueles que lhe s\u00e3o queridos, quer trabalhe em ambientes acad\u00e9micos ou em projetos pr\u00f3prios desenvolvidos de forma aut\u00f3noma e colaborativa, tende a questionar com alguma frequ\u00eancia se o que faz tem realmente um prop\u00f3sito, se contribui para a sociedade em que vive, se cria os formatos adequados para socializar e partilhar os resultados dos projetos e da investiga\u00e7\u00e3o. Trabalhar com mem\u00f3rias coletivas implica este desafio: ser\u00e1 poss\u00edvel levar um <em>paper <\/em>publicado numa revista s\u00e9ria \u00e0s pessoas com quem tomamos mate \u00e0 lareira ou numa cozinha? Ser\u00e1 esta a melhor estrat\u00e9gia para fazer circular a mem\u00f3ria emergente, o conhecimento muitas vezes constru\u00eddo \u00e0 m\u00e3o e coletivamente? Por outro lado, os anos de di\u00e1rios de campo, registos audiovisuais, grava\u00e7\u00f5es sonoras v\u00e3o-se acumulando e as pastas amarelas nos computadores ou dispositivos de mem\u00f3ria externa v\u00e3o ficando mais pesadas \u00e0 medida que os aparelhos de grava\u00e7\u00e3o se tornam mais baratos e a qualidade dos formatos melhora. Hoje, quase todos podem filmar, fotografar, gravar e partilhar o que quiserem.\u00a0 N\u00e3o s\u00e3o apenas os que trabalham com mem\u00f3rias n\u00e3o oficiais como profiss\u00e3o que fazem registos, que contribuem para desvendar hist\u00f3rias, reconstruir processos e criar arquivos de acesso mais ou menos aberto. Os pr\u00f3prios portadores de mem\u00f3rias fazem exig\u00eancias de justi\u00e7a e direitos humanos, lutam contra o silenciamento, documentam a exist\u00eancia da sua comunidade e constroem as suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias (Giraldo, 2018; Guti\u00e9rrez ed. alter, 2020). S\u00e3o pessoas que, gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, foram despojadas das suas terras e desenraizadas dos seus territ\u00f3rios, que procuram os seus familiares desaparecidos, constroem testemunhos e documentos, geram arquivos que apoiam e sustentam as suas lutas, enquanto o acesso a outros arquivos lhes \u00e9 negado (Rodr\u00edguez ed. alter, 2020; Da Silva Catela, 2011).<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s arquivamos, sim, mas por diferentes raz\u00f5es, circunst\u00e2ncias e hist\u00f3rias, permitir e encorajar o acesso a esses construtos n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o frequente. Longe de tirar o m\u00e9rito aos arquivistas profissionais, nos \u00faltimos anos tem sido refrescante ver a sua abertura para considerar e valorizar os chamados arquivos menores. Para al\u00e9m de produzirem uma reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre esses &#8220;outros&#8221; arquivos, hoje, arquivistas ativistas e organiza\u00e7\u00f5es oferecem capacita\u00e7\u00f5es que podem ser acedidas por qualquer cidad\u00e3o, ainda que atrav\u00e9s da Internet<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> . Estes profissionais envolvem-se em experi\u00eancias sociais em que podem contribuir com a sua ci\u00eancia e com a sua arte. As institui\u00e7\u00f5es onde encontram trabalho remunerado s\u00e3o, no entanto, mais lentas e menos inclusivas nos seus interesses.<\/p>\n<p>O trabalho em torno dos acervos n\u00e3o se restringe apenas \u00e0 salvaguarda do patrim\u00f3nio, mas tamb\u00e9m como &#8220;instrumentos de supera\u00e7\u00e3o do esquecimento diante de formas de vida banidas ou negadas nas narrativas oficiais e hegem\u00f3nicas&#8221; (Chavarr\u00eda, 2017). S\u00e3o necess\u00e1rias, portanto, estrat\u00e9gias de divulga\u00e7\u00e3o e socializa\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados.<\/p>\n<p>Vou referir-me a um ponto de partida pessoal e a duas experi\u00eancias desenvolvidas em territ\u00f3rios rurais espec\u00edficos que tomo como refer\u00eancia ao considerar a Internet como um meio de acesso e difus\u00e3o de registos sonoros e audiovisuais de saberes coletivos, hist\u00f3rias locais e mem\u00f3rias subterr\u00e2neas. Posteriormente, comento alguns aspetos relacionados com a reativa\u00e7\u00e3o de saberes: a conce\u00e7\u00e3o de circuitos de circula\u00e7\u00e3o, e de formatos e estrat\u00e9gias de divulga\u00e7\u00e3o de conte\u00fados, criados e ligados de alguma forma a arquivos orais, sonoros e audiovisuais.<\/p>\n<p>Entre 2006 e 2008 contribu\u00ed para a cria\u00e7\u00e3o de um arquivo oral e audiovisual em que os registos foram feitos pelos pr\u00f3prios habitantes das aldeias, ap\u00f3s algumas atividades em que foram acordadas estrat\u00e9gias de aproxima\u00e7\u00e3o, temas a abordar e formas de colocar quest\u00f5es. O objetivo era dar uma certa import\u00e2ncia \u00e0s pessoas e aos modos de vida e de linguagem ligados, na maioria dos casos, \u00e0s zonas rurais de uma prov\u00edncia do norte do Uruguai. Para a zona, longe da capital do pa\u00eds, a proposta foi inovadora e, em certo sentido, bem sucedida, j\u00e1 que como resultado obtivemos filmes com explica\u00e7\u00f5es sobre a vida produtiva de lugares agora despovoados e dos quais n\u00e3o existem publica\u00e7\u00f5es; hist\u00f3rias de vida e explica\u00e7\u00f5es sobre of\u00edcios rurais em que homens e mulheres se especializaram, experi\u00eancias de agricultores, criadores de gado, m\u00fasicos, detentores de m\u00faltiplos conhecimentos que lhes permitiram viver e manter-se em pequenas cidades e lugares. No entanto, depois de satisfeita a motiva\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o destes exerc\u00edcios de mem\u00f3ria em que uns tomaram a iniciativa de &#8220;gravar&#8221; e outros aceitaram ser &#8220;gravados&#8221; ou entrevistados, no futuro imediato ningu\u00e9m precisou de olhar para estes filmes, para estas fotografias com informa\u00e7\u00f5es e explica\u00e7\u00f5es escritas, para ouvir estas vozes digitalizadas. S\u00e3o narrativas e reflexos de materialidades que s\u00f3 com o passar do tempo parecem ser valorizadas e, embora a sua utilidade seja bem conhecida dos investigadores, \u00e9 raro que algum utilizador, como o de uma biblioteca, solicite o acesso a este tipo de documentos. Talvez por isso, e por implicar uma certa estrutura de conserva\u00e7\u00e3o e recursos humanos para a sua gest\u00e3o, pouco tempo depois de terminado o projeto que lhe deu origem, o arquivo caiu no esquecimento at\u00e9 ser recentemente doado a um servi\u00e7o municipal de cultura, que o recebeu sem grande emo\u00e7\u00e3o. O mobili\u00e1rio da casa da fam\u00edlia continua em perfeito estado. Na cidade onde trabalhei, longe da casa da fam\u00edlia, o conte\u00fado daquilo a que chamei &#8220;arquivo&#8221;, feito com a colabora\u00e7\u00e3o de algumas pessoas sob a prote\u00e7\u00e3o de uma institui\u00e7\u00e3o religiosa, est\u00e1 agora embalado em caixas de cart\u00e3o e, portanto, literalmente n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>Como podemos aceder ao significado mais profundo que as pessoas d\u00e3o \u00e0s suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es quando n\u00e3o fazemos parte dessa cultura? N\u00e3o basta certamente perguntar. N\u00e3o \u00e9 por falta de vontade, e muitas vezes tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 por falta de confian\u00e7a. Ao sentido acede-se sentindo; e por vezes, mesmo que seja muito pr\u00f3prio, reconhece-se partilhando. As duas experi\u00eancias que vou mencionar referem-se a abordagens \u00e0s culturas rurais ou camponesas efeituadas ao longo de v\u00e1rios anos, que seguiram metodologias completamente diferentes. Em ambos os casos, houve um momento de viragem em que os respons\u00e1veis ou criadores decidiram dar acesso p\u00fablico aos frutos das suas investiga\u00e7\u00f5es e projetos, adotando formalmente a identidade de arquivo: o Arquivo de Cultura Tradicional Patricia Chavarr\u00eda (Chile) e o Arquivo Digital Binaural Nodar (Portugal). Estas opera\u00e7\u00f5es exigiram a defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os na Internet, bem como a tomada de decis\u00f5es sobre o que expor nesse suporte, em que formato e dura\u00e7\u00e3o, como descrev\u00ea-lo para que algu\u00e9m opte por consult\u00e1-lo e como contextualiz\u00e1-lo com informa\u00e7\u00e3o externa ao documento, que tipo de licen\u00e7as utilizar e que permiss\u00f5es conceder ou n\u00e3o conceder, para referir apenas algumas escolhas fundamentais.<\/p>\n<p>O Archivo de Cultura Tradicional Patricia Chavarr\u00eda tem o nome da sua criadora, uma artista e investigadora do centro-sul do Chile que h\u00e1 mais de 50 anos se dedica ao canto tradicional campon\u00eas. Nas zonas de B\u00edo B\u00edo e Maule, esta arte \u00e9 predominantemente cultivada por mulheres e, atrav\u00e9s do canto, Chavarr\u00eda acedeu \u00e0s ra\u00edzes profundas desta cultura. Representada como um diagrama circular<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> em que a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e a cosmosensibilidade dialogam e se alternam, entre as dimens\u00f5es espacial, \u00edntima e coletiva, prop\u00f5e a sua compreens\u00e3o e conhecimento atrav\u00e9s do acesso a fotografias, filmes, poesia, recita\u00e7\u00f5es, m\u00fasica e escrita de s\u00edntese e interpreta\u00e7\u00e3o sobre o que conceptualizou como &#8220;Ciclo agr\u00e1rio e cosmovis\u00e3o camponesa&#8221; (Chavarr\u00eda, 2017). Um calend\u00e1rio que representa o tempo linear como concebido pela cultura ocidental e o tempo c\u00edclico da vida, da rela\u00e7\u00e3o entre o indiv\u00edduo e o grupo, o fluxo entre o c\u00e9u e a terra, o invis\u00edvel, o sagrado e o institu\u00eddo re-significado, intelectual e corporalmente.<\/p>\n<p>O arquivo, constitu\u00eddo, catalogado, ordenado e gerido, tornou-se um instrumento que permite a produ\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de sentidos de solidariedade, afeto, humanidade e respeito existentes nos povos e comunidades camponesas estudadas (Ibid.). Permite o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e promove a sua reativa\u00e7\u00e3o, o que tamb\u00e9m assegura a conserva\u00e7\u00e3o a outro n\u00edvel. Por isso citei acima &#8220;instrumento de supera\u00e7\u00e3o do esquecimento&#8221;.<\/p>\n<p>Outro dos casos que tomo como refer\u00eancia \u00e9 o percurso seguido pela Associa\u00e7\u00e3o Cultural Binaural Nodar, coordenada e dirigida por Lu\u00eds Costa, que h\u00e1 mais de quinze anos interage com v\u00e1rias comunidades rurais localizadas na zona centro de Portugal, na regi\u00e3o de Viseu D\u00e3o Laf\u00f5es. Neste per\u00edodo t\u00eam sido diferentes as abordagens \u00e0 atividade a desenvolver no territ\u00f3rio de a\u00e7\u00e3o e tem mudado o peso e a \u00eanfase dada \u00e0 componente designada por &#8220;arquivo&#8221;, trabalhando sempre em \u00e1reas de experimenta\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, em formatos multim\u00e9dia, anal\u00f3gicos e digitais.<\/p>\n<p>O Arquivo Digital Binaural de Nodar tem agora um lugar privilegiado e destacado na sua p\u00e1gina web,<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> , de tal forma que adquiriu uma identidade pr\u00f3pria e \u00e9 a sec\u00e7\u00e3o que re\u00fane a maior quantidade de informa\u00e7\u00e3o e de elementos.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> De facto, funciona como uma interface interativa com uma linguagem de puzzle, em que a figura que liga as pe\u00e7as \u00e9 a conce\u00e7\u00e3o com que foram agrupadas (por projeto, por munic\u00edpio ou por \u00e1rea geogr\u00e1fica com linguagem de mapa) e n\u00e3o a natureza ou tipo do objeto (v\u00eddeo experimental, grava\u00e7\u00e3o de som, pe\u00e7a sonora, programa de r\u00e1dio, entrevista, etc.). Inclui tamb\u00e9m uma ferramenta essencial para os utilizadores que procuram informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas: uma barra de pesquisa que d\u00e1 acesso a temas atrav\u00e9s da disponibilidade de etiquetas com as quais todos os materiais foram caracterizados.<\/p>\n<p>Mas que materiais? N\u00e3o s\u00e3o as mat\u00e9rias-primas, mas sim elabora\u00e7\u00f5es, s\u00ednteses ou recortes que t\u00eam sido feitos para consulta p\u00fablica, a partir de temas e abordagens realizadas ao longo da trajet\u00f3ria da Associa\u00e7\u00e3o, entre os quais se podem destacar os ciclos do linho, do centeio e pr\u00e1ticas associadas, as mudan\u00e7as sociais das \u00faltimas d\u00e9cadas e a emigra\u00e7\u00e3o, embora haja muitos outros. As pe\u00e7as s\u00e3o normalmente os componentes com os quais se produziram diversos produtos: publica\u00e7\u00f5es, document\u00e1rios, materiais did\u00e1ticos para centros educativos e museus, CD&#8217;s de m\u00fasica experimental e coral, etc., para citar apenas alguns. Cada uma das publica\u00e7\u00f5es, discos, document\u00e1rios ou filmes foi apresentada em eventos locais com a presen\u00e7a e o interc\u00e2mbio daqueles que participaram de uma forma ou de outra na elabora\u00e7\u00e3o desses elementos, bem como noutros tipos de circuitos em que os temas patrimoniais e educativos, etc., s\u00e3o de interesse. Por vezes, o circuito de circula\u00e7\u00e3o tem determinadas caracter\u00edsticas que permitem chegar a p\u00fablicos mais diversificados que vivem nas \u00e1reas imediatas onde o trabalho foi realizado, como a conce\u00e7\u00e3o de programas de r\u00e1dio<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> que s\u00e3o difundidos localmente, bem como a difus\u00e3o ou publica\u00e7\u00e3o na Internet de cada um dos programas.<\/p>\n<p>De todas as possibilidades que a Binaural Nodar tem explorado no que diz respeito ao desenho de estrat\u00e9gias de divulga\u00e7\u00e3o, partilha e socializa\u00e7\u00e3o dos frutos dos projetos em que tem participado, vou deter-me nesta ocasi\u00e3o numa narrativa que integra paisagens sonoras, grava\u00e7\u00f5es de campo, inst\u00e2ncias de trabalho com mem\u00f3rias coletivas, entrevistas individuais e a voz do investigador: a s\u00e9rie de podcasts &#8220;Da serra para a f\u00e1brica&#8221;<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> integrada no projeto europeu &#8220;Onde a cidade perde o nome&#8221;<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> que trata da emigra\u00e7\u00e3o de habitantes de uma zona rural espec\u00edfica, a serra de Montemuro, para uma zona perif\u00e9rica da cidade de Lisboa, durante a segunda metade do s\u00e9culo XX. Estas pessoas fixaram-se em Marvila, onde se concentravam f\u00e1bricas, ind\u00fastrias, pequenos armaz\u00e9ns e outras oportunidades de emprego. Os podcasts reconstituem v\u00e1rios aspetos da vida em habita\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, feitas de materiais leves, em espa\u00e7os pequenos e apertados, sem saneamento e sem servi\u00e7os (eletricidade e \u00e1gua corrente): os chamados bairros de lata.\u00a0 H\u00e1 hist\u00f3rias de estrat\u00e9gias de trabalho familiar, de crian\u00e7as e jovens que deixaram a sua aldeia para se instalarem num mundo desconhecido, e de estrat\u00e9gias coletivas para construir uma comunidade e reproduzir certos aspetos culturais que lhes permitiram sobreviver.<\/p>\n<p>No primeiro cap\u00edtulo, &#8220;O meu mapa do bairro&#8221;, o dispositivo narrativo recorre \u00e0 cartografia para reconstruir um espa\u00e7o que j\u00e1 n\u00e3o existe, ou pelo menos n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel para quem n\u00e3o o viveu. Um certo mapa materializa-se na imagina\u00e7\u00e3o do ouvinte, a partir da escolha de certos elementos que existem ou fingem existir: duas entrevistas realizadas em momentos hist\u00f3ricos diferentes, com pessoas diferentes, que, editadas em contraponto, dialogam; o desenho sonoro de ve\u00edculos que se deslocam entre o passado e o presente e de espa\u00e7os que ligam o inomin\u00e1vel e o evocado; a discuss\u00e3o entre pessoas que viveram em Marvila mas que hoje regressaram a zonas pr\u00f3ximas das suas aldeias de origem e que, reunidas \u00e0 volta de uma mesa numa biblioteca em Castro Daire, se disp\u00f5em a partilhar algumas das suas mem\u00f3rias, o que foi poss\u00edvel dizer naquele tempo e naquele lugar, desenhando um mapa no papel. A voz do autor do podcast funciona como elemento integrador, ele n\u00e3o esconde a sua autoria e d\u00e1-se licen\u00e7a po\u00e9tica para incorporar na sua voz as experi\u00eancias dos v\u00e1rios entrevistados, propondo uma fic\u00e7\u00e3o de uma voz coletiva para fazer interpreta\u00e7\u00f5es do que foi dito e do que n\u00e3o foi dito.<\/p>\n<p>Se as mem\u00f3rias s\u00e3o como gotas de \u00e1gua, trabalhar com registos de mem\u00f3ria implica a constru\u00e7\u00e3o de tecnologias que permitam recordar fluxos, aprender a enquadrar diferentes corpos l\u00edquidos, n\u00e3o para os armazenar, mas para compreender resson\u00e2ncias e canaliza\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, se existirem ou forem desejados os acordos necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o \u00e0s pessoas que aceitam ser gravadas, que falam e o fazem pensando em algu\u00e9m que n\u00e3o conhecem, um outro algures no tempo, destinat\u00e1rio do seu esfor\u00e7o explicativo, da sensibilidade que empenham ao dar a sua vers\u00e3o. Agrade\u00e7o a sua confian\u00e7a e agrade\u00e7o a quem me permite, eu que estou noutro lugar, com outras perguntas e com outras mem\u00f3rias, ouvir, sentir, ler (que \u00e9 sempre ouvir) e olhar e tocar as suas vidas. Mas estou muito mais grata aos autores dos arquivos dispon\u00edveis por n\u00e3o descansarem nas palavras dos seus entrevistados e por apelarem teimosa e criativamente \u00e0 inven\u00e7\u00e3o de oportunidades, contextos e dispositivos narrativos que amortecem as camadas menos pensadas da nossa sociedade, com o que regam sem o saber, as nossas sementes mais enterradas, aquelas que despertam do inconsciente para nos mover e transformar.<\/p>\n<p>* Originalmente publicado no contexto da publica\u00e7\u00e3o final do projeto &#8220;Onde a cidade perde o seu nome&#8221;, financiado pelo Programa Europa Criativa, 2020.<\/p>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p>BLASCO, Jorge, 2009: &#8220;Ceci n&#8217;est pas un archive&#8221;, in: Memorias y olvidos del archivo, Est\u00e9vez, F., de Santa Ana, M. Editores \/Online\/ dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/issuu.com\/jorgeblascogallardo\/docs\/010-029_blasco_v1\">https:\/\/issuu.com\/jorgeblascogallardo\/docs\/010-029_blasco_v1<\/a> Acedido em outubro de 2020.<\/p>\n<p>Coletivo Memoria en Libertad, 2019: \u00c9sta es mi historia \u00bfY la tuya? Imprenta AEBU, Montevideo.<\/p>\n<p>DA SILVA CATELA, Ludmila, 2011: <u>El mundo de los archivos<\/u>, en:\u00a0Justicia transicional: manual para Am\u00e9rica Latina. F\u00e9lix Re\u00e1tegui Editor, Brasilia: Comisi\u00f3n de Amnist\u00eda, Ministerio de Justicia pp.: 381-403 \/Online\/ dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/infotoxico.wordpress.com\/2015\/01\/19\/el-mundo-de-los-archivos-ludmila-da-silva-catela\/\">https:\/\/infotoxico.wordpress.com\/2015\/01\/19\/el-mundo-de-los-archivos-ludmila-da-silva-catela\/<\/a> Acedido em outubro 2020.<\/p>\n<p>CHAVARR\u00cdA, Paula Mari\u00e1ngel, 2017: Archivo de cultura tradicional Patricia Chavarr\u00eda Hacia una pol\u00edtica de gesti\u00f3n documental y archivo \/Online\/ dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.archivodeculturatradicional.cl\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Hacia-una-Politica-de-Gestion-Documental-y-Archivo-Archivo-de-Cultura-Tradicional-Patricia-Chavarria.pdf%20recuperado%20el%2011\/10\/2020\">http:\/\/www.archivodeculturatradicional.cl\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Hacia-una-Politica-de-Gestion-Documental-y-Archivo-Archivo-de-Cultura-Tradicional-Patricia-Chavarria.pdf retrieved 11\/10\/2020<\/a> Acedido em outubro de 2020.<\/p>\n<p>GIRALDO, Marta, 2018: &#8220;Archivos comunitarios de sobrevivientes del conflicto armado: remedios contra el olvido&#8221;, in: Mem\u00f3ria Pol\u00edtica em Perspetiva Latino-Americana, Peter Lang Publisher, pp. 61-76 \/Online\/ dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/37136120\/Archivos_comunitarios_de_sobrevivientes_del_conflicto_armado_remedios_contra_el_olvido\">https:\/\/www.academia.edu\/37136120\/Archivos_comunitarios_de_sobrevivientes_del_conflicto_armado_remedios_contra_el_olvido<\/a> Acedido em outubro de 2020.<\/p>\n<p>GUTI\u00c9RREZ \u00c1lvaro, ORTIZ Felipe, BARR\u00cdA Ghislaine: Archivo Popular de Rodelillo como instrumento de Construcci\u00f3n de Memoria Social In: Revista F@ro, Facultad de Ciencias Sociales, Universidad de Playa Ancha, Valpara\u00edso, Vol. 1, N\u00ba31 (I Semestre 2020) pp. 27- 46 \/Online\/ dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.revistafaro.cl\/index.php\/Faro\/article\/view\/622\/587\">http:\/\/www.revistafaro.cl\/index.php\/Faro\/article\/view\/622\/587<\/a> Acedido em outubro de 2020.<\/p>\n<p>MASOTTA, Carlos Eduardo, 2016: <u>El gesto y el archivo: la fotograf\u00eda y la anamnesis argentina. <\/u>Revista Photo y Documento, No. 1, Universidade de Bras\u00edlia \/Online\/ dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ri.conicet.gov.ar\/handle\/11336\/91201\">https:\/\/ri.conicet.gov.ar\/handle\/11336\/91201<\/a> Acedido em outubro de 2020.<\/p>\n<p>RODR\u00cdGUEZ, Mariela, SAN MART\u00cdN, Celina, NAHUELQUIR, Fabiana, 2016: &#8220;Im\u00e1genes, silencios y borraduras en los procesos de transmisi\u00f3n de las memorias mapuches y tehuelches&#8221; in: Mariana Lorenzetti, Lucrecia Petit e Lea Geleren: Memorias en Lucha Recuerdos y silencios en el contexto de subordinaci\u00f3n y alteridad. Ramos, A., Crespo, C., Tozzini, M., (Dir.), Editorial Universidad Nacional de R\u00edo Negro, Viedma. Cap. 5, pp. 111-140 \/Online\/ dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/books.openedition.org\/eunrn\/231?lang=es\">https:\/\/books.openedition.org\/eunrn\/231?lang=es<\/a><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>S\u00edtios Web, aplica\u00e7\u00f5es e recursos digitais:<\/strong><\/p>\n<p>Da serra para f\u00e1brica <a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/binauralmedia\/sets\/binaural-radio-rural\">https:\/\/soundcloud.com\/binauralmedia\/sets\/binaural-radio-rural<\/a> Podcast BRR! R\u00e1dio Binaural Rural, cap.1. Texto, voz, composi\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o sonora de Lu\u00eds Costa. Registos sonoros de Maile Colbert, Nely Ferreira e Lu\u00eds Costa. Atua\u00e7\u00e3o musical do Grupo de Concertinas da Casa do Concelho de Castro Daire em Lisboa. Dura\u00e7\u00e3o: 26: 57&#8243;.<\/p>\n<p>Community Archiving Workshop <a href=\"https:\/\/communityarchiving.org\/about-caw\/\">https:\/\/communityarchiving.org\/about-caw\/<\/a><\/p>\n<p>Or\u00edgenes <a href=\"https:\/\/apporigenes.blogspot.com\/p\/instrucciones-para-utilizar-la.html\">https:\/\/apporigenes.blogspot.com\/p\/instrucciones-para-utilizar-la.html<\/a> Aplica\u00e7\u00e3o. Co-desenhada pelas comunidades Tehuelche, Camusu, Aike e Kopolke da Patag\u00f3nia do Sul e por Simon Robinson. Descarregado em outubro de 2020.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> A RIPDASA, Red Iberoamericana de preservaci\u00f3n digital de archivos sonoros y digitales tem uma s\u00e9rie de webinars did\u00e1cticos publicados no seu canal do youtube: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCoWU8W45oSNgmCSbgw5vE4Q\/videos\">https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCoWU8W45oSNgmCSbgw5vE4Q\/videos<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ciclo Agr\u00e1rio e Cultura Campesina: Aportes para a difus\u00e3o da Cultura Tradicional em Meios Digitais. Dispon\u00edvel online: <a href=\"http:\/\/www.archivodeculturatradicional.cl\/cicloagrario\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.archivodeculturatradicional.cl\/cicloagrario\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.binauralmedia.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.binauralmedia.org<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a><a href=\"https:\/\/www.archive.binauralmedia.org\"> https:\/\/www.archive.binauralmedia.org<\/a> desenvolvido com o financiamento do projeto da Rede Europeia Tramontana sobre arquivos rurais multim\u00e9dia.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> 57 programas emitidos desde 2012 na R\u00e1dio Laf\u00f5es (S\u00e3o Pedro do Sul) e dispon\u00edveis em <a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/binauralmedia\/sets\/binaural-nodar-radio-docs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/soundcloud.com\/binauralmedia\/sets\/binaural-nodar-radio-docs<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> <a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/binauralmedia\/sets\/binaural-radio-rural\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/soundcloud.com\/binauralmedia\/sets\/binaural-radio-rural<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.lafundicio.net\/beyondformalcities\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.lafundicio.net\/beyondformalcities\/<\/a><\/p>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":18986,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[1328],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"class_list":["post-20563","avada_portfolio","type-avada_portfolio","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-artigos-de-investigacao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/20563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20563"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/20563\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20582,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/20563\/revisions\/20582"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18986"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=20563"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=20563"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=20563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}