{"id":18441,"date":"2023-06-22T09:15:25","date_gmt":"2023-06-22T09:15:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news?post_type=avada_portfolio&#038;p=18441"},"modified":"2023-07-04T14:07:18","modified_gmt":"2023-07-04T14:07:18","slug":"marta-bernardes-e-ignacio-martinez","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/arquivo\/portfolio-items\/marta-bernardes-e-ignacio-martinez","title":{"rendered":"Marta Bernardes e Ignacio Mart\u00ednez"},"content":{"rendered":"<p><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1144px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div>\n<div>\n<p><strong>Fauna Fon\u00e9tica &#8211; Voz Animal<\/strong><\/p>\n<p>\u201cUma voz e um violino procuram-se, buscam no encontro poss\u00edvel os ecos de uma animalidade imanente.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>As feras, os lobos, os p\u00e1ssaros, os insectos&#8230; desde tempos imemoriais os homens observamos animais, invejam os seus poderes, tem em os seus ataques, imitam com os mais h\u00e1beis engenhos os seus privil\u00e9gios, atribu\u00edram aos deuses as suas nobres qualidades, esculpiram amuletos e objectos m\u00e1gicos com as suas formas, urdiram hist\u00f3rias e lendas sobre os seus mist\u00e9rios e perigos, guardaram as suas casas com a sua valentia, decoraram as suas bandeiras e cidades com as suas formas. Amansaram alguns e fizeram-se amigos. Eliminaram outros. Domesticaram outros tantos para sobreviver.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>O universo popular, bem como o da literatura e cinema modernos ou contempor\u00e2neos (\u00e9 exemplo disso Kafka), est\u00e1 povoado de maravilhosas e fabula\u00e7\u00f5es de metamorfoses e de \u201cdevires-animal\u201d, e em todas as sociedades humanas fala secretamente esta voz primitiva.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>De um certo modo o homem \u00e9 essa esp\u00e9cie de negocia\u00e7\u00e3o constante com a brutalidade da sua condi\u00e7\u00e3o animal, combate que parece nunca findado e para o qual se mune de todas as ferramentas e tecnologias: as ideias, as armas, as palavras, as sementes, as geringon\u00e7as, as mentiras, as can\u00e7\u00f5es, a pol\u00edtica. Hoje, mesmo nas cidades mais sofisticadas onde a natureza parece totalmente domada e contida em desenhos geom\u00e9tricos, invadem-nos as pombas, os ratos, os mosquitos, as formigas, habitam-nas os c\u00e3es, os gatos, as centopeias.(Uivam na rua mi\u00fados como lobos, enfurecem-se homens com bestas, batem-se e enlouquecem como touros).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Sobre esta presen\u00e7a da voz animal no homem, ergueu-se o nosso projecto, que se estabeleceu nos seguintes vectores: recolha de testemunhos dos pr\u00f3prios habitantes de Nodar sobre a sua fauna, os seus bichos, as suas lendas, as suas hist\u00f3rias, can\u00e7\u00f5es, lengalengas em que qualquer animal seja protagonista ou met\u00e1fora; manipula\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o do material sonoro ou visual da recolha para construir uma apresenta\u00e7\u00e3o performativa multim\u00e9dia com uma forte componente pl\u00e1stica, numa l\u00f3gica que, apesar de n\u00e3o ser rigorosamente antropol\u00f3gica, teve como horizonte devolver \u00e0 comunidade o seu investimento e a sua energia.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>A voz humana e a voz animal, o seu encontro e desajustamento, as particularidades da sua conviv\u00eancia com o Povo de Nodar, foram o eixo organizador do projecto, tanto ao n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o do material audio-visual-perform\u00e1tico, como no tratamento objectual dos dispositivos escult\u00f3rico-sonoros inspirados na natureza local: nas suas formas, nos seus materiais. Houve um espa\u00e7o para a improvisa\u00e7\u00e3o, para a presen\u00e7a e experi\u00eancia do lugar, do instante. Tendo em conta que \u00e9 de vozes que tratamos, a heran\u00e7a da poesia experimental, tanto visual como sonora\/fon\u00e9tica foi de maior import\u00e2ncia j\u00e1 que \u00e9 dif\u00edcil esquecer aquilo que a voz humana sempre teve a ver com a escrita; aquilo que a voz animal sempre teve que ver com o corpo e a sua secreta evid\u00eancia mortal de vitalidade, ou seja, de perenidade.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>\u201cFauna fon\u00e9tica-Voz animal\u201d \u00e9 um projecto multidisciplinar. A quest\u00e3o da multi disciplinaridade tem tanto a ver com os nossos percursos e com o encontro de dois percursos diferentes, como com a ideia de ir para um lugar fazer uma narrativa que \u00e9 complicada de expressar e portanto, quantos mais elementos temos para a exprimir, mais s\u00f3lida ela fica. N\u00e3o temos essa rela\u00e7\u00e3o com uma disciplina a aprofundar mas sim com a liga\u00e7\u00e3o que existe entre cada disciplina, entre os c\u00f3digos. Neste projecto \u00e9 muito evidente que estamos \u00e0 procura de qualquer coisa que escapa \u00e0 linguagem. O que escapa \u00e0 linguagem fica entre as linguagens, e ao junt\u00e1-las podemos ver as falhas que existem entre cada linguagem, elas tornam-se evidentes e portanto comunic\u00e1veis.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>A esse n\u00edvel funcionamos mais em extens\u00e3o do que em profundidade, como uma constela\u00e7\u00e3o ou um mapa, e n\u00e3o como uma escava\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Decidimos entre n\u00f3s que a parte mais dif\u00edcil seria a parte objectual. Cri\u00e1mos o v\u00eddeo para criar a temporalidade, cri\u00e1mos os objectos para criar uma base sonora, para deixar que o momento da performance fosse deixado tanto \u00e0 improvisa\u00e7\u00e3o como \u00e0s ideias que foram caindo que eram muito mais interessantes como acto performativo, como a quest\u00e3o da grava\u00e7\u00e3o dos bal\u00f5es que foi transferida para o acto performativo.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Perceber como \u00e9 que acontece a representa\u00e7\u00e3o dessa animalidade nos idiomas, a animalidade pura e simples de um corpo que est\u00e1 em frente ao outro em adrenalina que por mais que tente construir um discurso enfrenta algo mais forte que qualquer conven\u00e7\u00e3o. Quer\u00edamos tamb\u00e9m passar pela quest\u00e3o do lado mitol\u00f3gico e ancestral que este ambiente evoca, tamb\u00e9m o lado infantil dos sons onomatopeicos, do bicho e do melro que come a formiga.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>A animalidade como uma abertura. O espa\u00e7o performativo como lugar aberto \u00e0 improvisa\u00e7\u00e3o \u00e9 o reflexo dessa condi\u00e7\u00e3o imanente do animal aberto aos acontecimentos.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Marta Bernardes \u00e9 uma artista portuguesa baseada em Espanha que trabalha nos dom\u00ednios da performance e artes visuais e sonoras. Det\u00e9m o Mestrado em Psican\u00e1lise e Filosofia da Cultura pela Faculdade de Filosofia de Madrid. Tem realizado diversos Workshops em Espanha, Portugal, Holanda e B\u00e9lgica e apresentado performances em v\u00e1rias galerias portuguesas.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Ignacio Martinez \u00e9 oriundo de Espanha e trabalha nos dom\u00ednios da m\u00fasica e escultura. \u00c9 licenciado em Belas Artes pela Universidade Complutense de Madrid e tem apresentado v\u00e1rios projectos musicais e teatrais audiovisuais em Espanha.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-2 fusion-flex-container has-pattern-background has-mask-background nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1144px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-1 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:20px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-order-medium:0;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-order-small:0;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-column-has-shadow fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-2\"><p><strong>OBRAS ART\u00cdSTICAS<\/strong><\/p>\n<\/div><div class=\"fusion-video fusion-vimeo\" style=\"--awb-max-width:600px;--awb-max-height:360px;--awb-align-self:center;--awb-width:100%;\"><div class=\"video-shortcode\"><div class=\"fluid-width-video-wrapper\" style=\"padding-top:60%;\" ><iframe title=\"Vimeo video player 1\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/90210335?autoplay=0&amp;autopause=0\" width=\"600\" height=\"360\" allowfullscreen allow=\"autoplay; 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