{"id":18249,"date":"2023-06-19T10:55:05","date_gmt":"2023-06-19T10:55:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news?post_type=avada_portfolio&#038;p=18249"},"modified":"2023-07-03T14:56:13","modified_gmt":"2023-07-03T14:56:13","slug":"maria-idilia-martins","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/arquivo\/portfolio-items\/maria-idilia-martins","title":{"rendered":"Maria Id\u00edlia Martins"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1144px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p><strong>Zapatos de Mi Pueblo<\/strong><\/p>\n<div>\n<div>\n<p>\u201cSapatos da Minha Aldeia\u201d \u00e9 um projecto no \u00e2mbito da minha investiga\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica orientada em torno da rela\u00e7\u00e3o entre corpo e espa\u00e7o como modo de conhecimento que amplifica a nossa percep\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>O seu enfoque est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o entre arte e vida, dadas as caracter\u00edsticas formais do processo de recolha do material nomeio imediato, resultando numa instala\u00e7\u00e3o que identifica e vincula o sujeito com o objecto.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Utiliza, para isso, diferentes meios disciplinares dentro da pr\u00e1tica art\u00edstica, a qual se constitui numa linguagem essencialmente poliss\u00e9mica e transfronteiri\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Este trabalho, realizado no \u00e2mbito tem\u00e1tico da fronteira possui uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com a minha hist\u00f3ria pessoal. As fronteiras esp\u00e1cio-temporais s\u00e3o linhas abertas pela mem\u00f3ria e imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>DI\u00c1RIO DE CAMPO DE UMA VIAGEM A P\u00c9<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Viv\u00eancias durante a resid\u00eancia art\u00edstica em Nodar, Fronte(i)ras-Setembro 18-Outubro 01 2007.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>18\/09, 10:30 AM<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Realizei um pequeno percurso pelos arredores da aldeia, visitei o rio Paiva e o transitar quotidiano dos alde\u00f5es pelos espa\u00e7os comuns.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Encontrei algumas pessoas \u00e0 espera da carrinha do p\u00e3o que chega sempre \u00e0 mesma hora; outras estavam a ver a caixa do correio, \u00e0 espera da carta de algum familiar ou talvez uma factura de algum servi\u00e7o.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Uma senhora bastante idosa que vestia de negro (coisa muito t\u00edpica) levava uns sapatos desportivos (totalmente at\u00edpico),arrancava \u00e0 m\u00e3o as ervas daninhas que cresciam entre a cal\u00e7ada de uma rua, repetindo constantemente: Malditas ervas! Malditas ervas!<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>As cores de Nodar s\u00e3o muito particulares. A vegeta\u00e7\u00e3o possui uma paleta de tons acinzentados e verdes escuros com alguns ramos viol\u00e1ceos, as suas terras s\u00e3o de um ocre quente e as pedras s\u00e3o maravilhosas e brancas esculturas naturais.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>H\u00e1 muito xisto, muita madeira e muita textura, tanta como para rebolar-se nela.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Num corrim\u00e3o pr\u00f3ximo de um tanque estava pendurado um parde sapatos brancos atados a ele, talvez a secar, talvez s\u00f3 desfrutando da espl\u00eandida paisagem do rio.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>12:00 AM<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Encontrei uma casa em ru\u00ednas.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Tinha uma mistura de materiais entre os elementos ali encontrados: terra, pedras, bocados de madeira, teias de aranha,velas e objectos pessoais.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Objectos que contam hist\u00f3rias.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Um sapato de verniz de uma menina de 5 anos, outros de salto alto pertencentes a mulheres de 30 ou 40 anos, alguns usados nas lides do campo pertencentes a homens jovens, cada um carregado dos seus pr\u00f3prios sonhos.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>A disposi\u00e7\u00e3o daqueles objectos \u00edmpares num recinto abandonado traz-me as imagens de um passado, talvez n\u00e3o muito remoto, onde palpitava vida e movimento.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Agora sopra umar de desola\u00e7\u00e3o e esquecimento como se as pessoas que ali viviam tivessem desaparecido tal como o tempo no qual caminhavam por essas escadas nos seus percursos quotidianos e familiares.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>O som dos risos e dos utens\u00edlios da cozinha cedeu o seu lugar ao sil\u00eancio.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>19\/09,5:00 PM<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Comecei a pedir emprestado o cal\u00e7ado das pessoas da aldeia.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Em geral, a maioria manifestou interesse em colaborar com o projecto. S\u00f3 algumas se mostraram c\u00e9pticas e reticentes perante a ideia de mostrar a sua intimidade atrav\u00e9s de um objecto t\u00e3o pessoal. Resist\u00eancia que costumam manifestar aqueles quem v\u00eaem de grandes n\u00facleos urbanos ou metr\u00f3poles e que estavam de passagem por Nodar.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Nestes lugares h\u00e1 uma desconcertante quantidade de vinhedos.Todas as casas t\u00eam o seu mas tamb\u00e9mtodos os caminhos est\u00e3orepletos de uvas, brancas e negras, maduras e doces e esseinconfund\u00edvel aroma que \u00e9 libertado acompanha-me no meucaminho at\u00e9 casa.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil descrever o aroma ou o som de Nodar. \u00c9 uma mistura fabulosa de uvas, bosta, cabras e folhas de figueira embalada alternadamente entre o som dos chocalhos de um rebanho long\u00ednquo e o correr da \u00e1gua por entre as pedras. Cheira a terra,a esta\u00e7\u00e3o do ano, a trabalho, a tempo. Cheira aos meus av\u00f3s e \u00e0 minha inf\u00e2ncia.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>O tempo ali s\u00f3 leva o passo de si mesmo, sem pressas, com cada queda de folha, com cada sopro de brisa.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>\u201cCom o candeeiro voltamos \u00e0 protec\u00e7\u00e3o do adormecimento da vig\u00edlia das casas de antigamente, casas perdidas mas que nos nossos sonhos continuam a ser fielmente habitadas\u201d.<\/p>\n<p>Artista portuguesa, vivendo h\u00e1 largos anos na Venezuela, onde estudou e desenvolve o seu trabalho. Com forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria recente em artes pl\u00e1sticas, ramo de escultura, tem um percurso diversificado de mais de 20 anos de estudos e de exposi\u00e7\u00f5es colectivas de fotografia, escultura,instala\u00e7\u00e3o e cer\u00e2mica. Com a sua \u00faltima exposi\u00e7\u00e3o individual, a instala\u00e7\u00e3o site-specific \u201cEspacioVivido\u201d que decorreu no Centro de Estudos Latino americanos de Caracas, a qual se baseou na utiliza\u00e7\u00e3o de elementos perceptuais no espa\u00e7o escult\u00f3rico, a artista pretendeu interpelar as formas de ver, convocando o olhar como constru\u00e7\u00e3o de novas linguagens, a partir de estruturas que parecem esgotadas num transitar quotidiano.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":18250,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[1231,1229],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"class_list":["post-18249","avada_portfolio","type-avada_portfolio","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-1231","portfolio_category-artistas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/18249","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18249"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/18249\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19277,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/18249\/revisions\/19277"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18250"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=18249"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=18249"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=18249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}