{"id":18156,"date":"2023-06-16T13:37:00","date_gmt":"2023-06-16T13:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news?post_type=avada_portfolio&#038;p=18156"},"modified":"2023-07-03T14:36:19","modified_gmt":"2023-07-03T14:36:19","slug":"amaya-gonzalez","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/arquivo\/portfolio-items\/amaya-gonzalez","title":{"rendered":"Amaya Gonz\u00e1lez"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start fusion-flex-content-wrap\" style=\"max-width:1144px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-width-large:100%;--awb-margin-top-large:0px;--awb-spacing-right-large:1.92%;--awb-margin-bottom-large:0px;--awb-spacing-left-large:1.92%;--awb-width-medium:100%;--awb-spacing-right-medium:1.92%;--awb-spacing-left-medium:1.92%;--awb-width-small:100%;--awb-spacing-right-small:1.92%;--awb-spacing-left-small:1.92%;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><div>\n<p><strong>Transgresi\u00f3n<\/strong><\/p>\n<p>Sobre algumas das coisas que poderia ter feito aqui:<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Poderia ter escrito a palavra \u201cprego\u201da torto e a direito tantas vezes quantas fossem necess\u00e1rias, construindo uma linha que ocupasse o espa\u00e7o, o qual daria um resultado semelhante ao que foi a minha instala\u00e7\u00e3o e seria algo similar a isto (ainda que n\u00e3o levasse aspas):<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>\u201cpregoogerppregoogerppregoogerppregoogerppregoogerppregoogerppregoogerpprego\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Poderia ter escrito um texto de 7000 caracteres (incluindo espa\u00e7os) mas n\u00e3o sei se queria. N\u00e3o sei se queria porque n\u00e3o me apetecia ou simplesmente n\u00e3o tinha a necessidade de o fazer.Poderia tamb\u00e9m ter convidado a S\u00edlvia Zayas (que n\u00e3o tenho a certeza,mas acho que tamb\u00e9m participa neste livro) para um interc\u00e2mbio. O interc\u00e2mbio basear-se-ia em que cada uma de n\u00f3s escrevesse na parte correspondente \u00e0 outra, de tal modo queir\u00edamos escrever o que julg\u00e1vamos que a outra poderia ter escrito e vice-versa. E neste preciso instante, ela estaria a escrever os meus 7000 caracteres caso considerasse necess\u00e1rio e eu divertir-me-ia muito mais imaginando o seu texto que escrevendo o meu. Mas ap\u00f3s ter decidido o que ia fazer, achei que n\u00e3o valia a pena propor-lhe isto, ainda que, provavelmente, o que escrevi sobre o que eu queria fazer tamb\u00e9m se pudesse aplicar a ela, embora tamb\u00e9m caiba a possibilidade de que n\u00e3o gost\u00e1ssemos do que cada uma escrevesse no lugar da outra-um risco que n\u00e3o sei se queria assumir nesse momento.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Acabei de telefonar-lhe mas n\u00e3o consegui falar com ela.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Poderia ter falado de imensas coisas, talvez demasiadas. De forma que nada parecesse ter rela\u00e7\u00e3o com o que se prop\u00f5e neste livro,mas que, de algum modo essa rela\u00e7\u00e3o existisse.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Poderia ter feito um di\u00e1rio e tentado escrever objectivamente sobre o que foi o meu trabalho e experi\u00eancia, mas isso requeria um esfor\u00e7o que, nesse momento, considerei desnecess\u00e1rio e para o qual n\u00e3o tinha tempo. Este texto incluiria uma revis\u00e3o das minhas mem\u00f3rias, dos meus trabalhos, das minhas anota\u00e7\u00f5es, etc.. Poderia ter escrito sobre qualquer outra coisa que me apetecesse j\u00e1 que tinha liberdade para preencher 7000 caracteres.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Poderia ter falado unicamente sobre a minha obra e fazer um percurso denso atrav\u00e9s dela. Uma minuciosa descri\u00e7\u00e3o do material,a disposi\u00e7\u00e3o, as dimens\u00f5es, os conceitos e tudo aquilo que tem aver com a mesma, o t\u00ea-la feito, o v\u00ea-la. Seria algo como um estudo detalhado de tudo o que a gerou e de tudo o que gera, no qual incluiria outras conjecturas a partir do que cada um pode pensar sobre uma disposi\u00e7\u00e3o quase casual dada por uns pregos torcidos e oxidados.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Poderia ter escrito sobre o que foi para mim a experi\u00eancia, mas n\u00e3o deixaria de ser um ponto de vista pessoal e absolutamente subjectivo do que eu vivi ali, e que, obviamente, n\u00e3o interessa porque tamb\u00e9m tem a ver com o que vivi antes e depois, e isso,aos leitores, acho que n\u00e3o diz respeito.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Poderia ter deixado de separar umas coisas das outras, e falar em geral, mas acabava por ser bastante mais eficiente fazer distin\u00e7\u00f5es entre umas coisas e outras, apesar de estar consciente de que pudessem existir rela\u00e7\u00f5es que preferiria ignorar.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Poderia ter enumerado, simplesmente, tudoo que de algum modo foi Fronte(i)ras:<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>\u201c Resid\u00eancia\u2013estranhos\u2013conhecidos\u2013viagem\u2013casa\u2013c\u00e3es\u2013ansiedade\u2013p\u00e2nico\u2013solid\u00e3o\u2013horizonte\u2013telefone\u2013procura\u2013confian\u00e7a\u2013amizade\u2013encontros\u2013pregos\u2013metros\u2013fotos\u2013chaves\u2013m\u00fasica\u2013sil\u00eancio\u2013murm\u00fario de rio\u2013linhas-meu espa\u00e7o\u2013sensatas\u2013anivers\u00e1rios\u2013Id\u00edlia\u2013bolo\u2013etc.\u201d.Ou talvez pudesseorden\u00e1-las alfabeticamente:\u201cacidente-\u00e1gua correndo\u2013amizade\u2013ansiedade\u2013procura\u2013casa\u2013cami\u00e3o\u2013estrada\u2013pregos\u2013comidas\u2013confian\u00e7a\u2013conhecidos\u2013cord\u00e9is\u2013cordas\u2013anivers\u00e1rios\u2013curiosidade\u2013curvas\u2013encontros\u2013escritos\u2013etc.\u2013estranhos\u2013fotos\u2013gentes\u2013fios\u2013horizonte\u2013ida\u2013Id\u00edlia\u2013internet\u2013livrete\u2013linhas\u2013chave\u2013emails-meu espa\u00e7o\u2013metros\u2013montanhas-murm\u00fario de rio\u2013m\u00fasica\u2013cheiros\u2013palavras\u2013p\u00e2nico\u2013passeio\u2013c\u00e3es\u2013pedras\u2013pedra de xisto\u2013resid\u00eancia\u2013rio\u2013sil\u00eancio\u2013solid\u00e3o\u2013bolo\u2013telefone\u2013uvas\u2013viagem-volta\u201d. Embora pudessetamb\u00e9m utilizar estas palavras e orden\u00e1-las segundo a sua sucess\u00e3o no tempo: \u201cestrada\u2013viagem\u2013casa&#8230;.\u201d (Continuar a fazeresta lista requer demasiado espa\u00e7o e tempo).Poderia ter transcrito o texto que escrevi na altura e n\u00e3o dizer nada mais, ou sim&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Talvez esta op\u00e7\u00e3o teria sido bem mais pr\u00e1tica e, para al\u00e9m disso,preencheria pelo menos 2324 caracteres, e seria uma coisa assim:<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Transgress\u00e3o (ou primeiro ensaio sobre a possibilidade desnecess\u00e1ria de construir uma fronteira \u00e0 minha medida) 2007.\u201cTenho que falar durante vinte minutos aproximadamente sobre fronte(i)ras, ainda que, como diria Bartle by o escriv\u00e3o \u201c preferiria n\u00e3o o fazer\u201d. Tentarei, portanto, ser o mais breve poss\u00edvel ao falar sobre o que fiz; porque, para al\u00e9m disso, acho que com o texto n\u00e3o pretendo dizer muito mais do que com a obra.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Entre outras coisas, fiz uma linha na parede delimitando um espa\u00e7o com um limite desnecess\u00e1rio sobre algo que j\u00e1 tem seus pr\u00f3prios limites.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Olhei muitas vezes para o horizonte, e pensei muito nele como fronteira visual, como fronteira inalcan\u00e7\u00e1vel, como o princ\u00edpio ou ofim de nenhuma parte, como uma fronteira que se move contigo,aonde quer que v\u00e1s.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Tenho que dizer tamb\u00e9m que a minha rela\u00e7\u00e3o com a fronteira \u00e9 pessoal, que nunca tive a necessidade de cruzar uma fronteira real,s\u00f3 em viagens, por prazer&#8230;e isto n\u00e3o significou nada e especial para mim&#8230;, por exemplo, quando ia para Nodar cruzei uma fronteira, uma ponte, neste caso, ainda que nada mudasse,simplesmente, as pessoas falavam de forma diferente, o tabaco e a gasolina eram mais caros, e a partir desse momento as chamadas telef\u00f3nicas tamb\u00e9m, e as multas, se as tivesse, teriam que ser pagas em numer\u00e1rio.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>&#8230; tamb\u00e9m a hora era uma a menos&#8230; Fora disso, nada mudou,apenas a paisagem, os sinais&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>J\u00e1 em Nodar, cruzei a porta de uma casa alheia e instalei-me,convivendo com mais gente. Isto sim era diferente, mas n\u00e3o tanto,e uma vez quebrado o gelo&#8230; ali estou, para trabalhar em algo&#8230; e digo algo, porque n\u00e3o sabia muito bem o que era aquilo&#8230; Agora sim, uma linha, ainda que antes fossem outras coisas&#8230; procurando construir fronteiras desnecess\u00e1rias, tentando responder a um tema atrav\u00e9s de uma experi\u00eancia pessoal e art\u00edstica.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Agora acabei um trabalho acerca de um tema sobre o qual nunca tinha trabalhado;sei que a obra \u00e9 coerente com as minhas pretens\u00f5es e tamb\u00e9m acredito que este texto o seja.Muito obrigado a todos, e em especial aos que participaram nesta experi\u00eancia, por tudo o que foi vivido e aprendido.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Foi o que me pareceu correcto na altura, e agora, ao l\u00ea-lo, n\u00e3o me arrependo, o qual talvez me devesse preocupar, ao pensar que n\u00e3o amadureci nada desde ent\u00e3o, mas prefiro pensar que simplesmente n\u00e3o tenho tempo para isso.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Poderia tamb\u00e9m n\u00e3o escrever nada e deixar esse espa\u00e7o vazio&#8230; e o texto poderia come\u00e7ar assim: \u201c7000caracteres: (aos quais h\u00e1 quesubtrair os 75 que j\u00e1 utilizei aqui)\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Suponho que poderia fazer muitas outras coisas mas j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 caracteres dispon\u00edveis pelo que convido-vos a imaginar o que eu poderia fazer ou o que n\u00e3o fiz.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Artista galega, doutorada em Belas Artes pela Universidade de Vigo, que desde 2003 tem apresentado o seu trabalho multidisciplinar em diferentes certames, festivais e mostras individuais e colectivas quer na sua regi\u00e3o de origem quer na restante Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica (Espanha e Portugal),Inglaterra, Alemanha, etc.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>A sua interven\u00e7\u00e3o desenvolve-se nas \u00e1reas da fotografia, do v\u00eddeo e da performance, nomeadamente em espa\u00e7os p\u00fablicos, tendo a artista desenvolvido obras que aliam uma reflex\u00e3o carregada de ironia sobre os c\u00f3digos e comportamentos sociais a uma pesquisa sobre o olhar, convocando novos pontos de vista (num sentido literal) para ver o espa\u00e7o urbano e as correspondentes ac\u00e7\u00f5es humanas. A este t\u00edtulo, merecem uma refer\u00eancia as obras em v\u00eddeo \u201cs.t. (grua)\u201d de 2006, \u201cs.t. (primer ensayo parauna pel\u00edcula redonda)\u201d e \u201cs.t. (cami\u00f3n)\u201d, ambas de 2005.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":18157,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"footnotes":""},"portfolio_category":[1231,1229],"portfolio_skills":[],"portfolio_tags":[],"class_list":["post-18156","avada_portfolio","type-avada_portfolio","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","portfolio_category-1231","portfolio_category-artistas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/18156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/avada_portfolio"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18156"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/18156\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19266,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/avada_portfolio\/18156\/revisions\/19266"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18157"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"portfolio_category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_category?post=18156"},{"taxonomy":"portfolio_skills","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_skills?post=18156"},{"taxonomy":"portfolio_tags","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/wp-json\/wp\/v2\/portfolio_tags?post=18156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}