{"id":1712,"date":"2011-03-28T16:38:50","date_gmt":"2011-03-28T15:38:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/?page_id=1712"},"modified":"2021-08-16T15:34:19","modified_gmt":"2021-08-16T15:34:19","slug":"birdsoundcage","status":"publish","type":"avada_portfolio","link":"https:\/\/www.binauralmedia.org\/news\/arquivo\/portfolio-items\/birdsoundcage","title":{"rendered":"Birdsoundcage"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"--awb-border-radius-top-left:0px;--awb-border-radius-top-right:0px;--awb-border-radius-bottom-right:0px;--awb-border-radius-bottom-left:0px;--awb-flex-wrap:wrap;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-one-full fusion-column-first fusion-column-last\" style=\"--awb-bg-size:cover;--awb-margin-bottom:0px;\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-column-wrapper-legacy\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p>Birdsoundcage \u00e9 um trabalho que faz parte de <em>Locus in quo<\/em> \u2013 \u201cO lugar onde alguma coisa acontece\u201d \u2013 que \u00e9 o t\u00edtulo gen\u00e9rico de um corpo de trabalhos baseados num \u00fanico tema: o sentido dos lugares.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas a nossa rela\u00e7\u00e3o com os lugares alterou-se irremediavelmente, tornando-se cada vez mais distante de um \u201csentir-se em casa\u201d, de um reconhecer-se na perten\u00e7a a um horizonte preciso, que n\u00e3o se materializa necessariamente atrav\u00e9s da frui\u00e7\u00e3o ociosa, mas sim pela inser\u00e7\u00e3o num devir social e cultural que marca profundamente os lugares.<\/p>\n<p>Em \u201cLocus in Quo\u201d pretendi evocar e reapropriar-me do sentido dos lugares. Para mim, encetar uma busca do sentido dos lugares significa acima de tudo escavar a terra que piso para tocar as suas ra\u00edzes, para as conhecer, descobrir e sentir, para refor\u00e7ar em mim o sentido de perten\u00e7a aos lugares da minha vida. Neste projecto tencionei analisar como o tempo, a mem\u00f3ria (colectiva ou individual) e os <em>genius loci<\/em> podem concorrer para fixar o sentido de um lugar e como isso, por sua vez, influencia a identidade de um indiv\u00edduo ou, mais genericamente, de uma comunidade.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O <\/strong><\/p>\n<p>Um p\u00e1ssaro que nasce dentro de uma gaiola \u00e9 um p\u00e1ssaro com as asas mortas.<\/p>\n<p>Um p\u00e1ssaro que nasce dentro de uma gaiola n\u00e3o conhece o significado de voar livre nos grandes espa\u00e7os abertos, n\u00e3o conhece o mar, a floresta, a cidade. \u00c9 um prisioneiro do seu pr\u00f3prio ninho. A sua percep\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o \u00e9 bastante limitada em compara\u00e7\u00e3o com aquela de um p\u00e1ssaro que nasceu livre, e este factor ir\u00e1 inevitavelmente influenciar os seus h\u00e1bitos e o seu comportamento. Dentro da gaiola &#8211; ninho, o p\u00e1ssaro prisioneiro encontra ref\u00fagio, seguran\u00e7a e protec\u00e7\u00e3o, apesar do seu interior nos parecer pequeno, apertado, in\u00f3spito.<\/p>\n<p>Um p\u00e1ssaro que nasce livre, pelo contr\u00e1rio conhece perfeitamente os espa\u00e7os abertos. Ele conhece perfeitamente o risco, o perigo, aprendeu a confiar nos lugares. Um p\u00e1ssaro nascido livre e fechado posteriormente numa gaiola est\u00e1 provavelmente destinado a sucumbir, porque de um momento para o outro um poder coercivo for\u00e7a-o a viver o resto dos seus dias num ambiente que vai contra sua natureza e o limita. A gaiola representa um impedimento para a possibilidade de voar.<\/p>\n<p>Na aldeia onde os meus pais tinham uma casa de f\u00e9rias, um dia eu encontrei um pardal que n\u00e3o podia voar. Decidi traz\u00ea-lo temporariamente para a cidade no sentido de cuidar dele. Depois de curado, eu\u00a0tencionava coloc\u00e1-lo novamente em liberdade.<br \/>\nVer um pardal fechado numa gaiola, na cidade, era muito estranho. Ainda me lembro do sentimento profundo de inadequa\u00e7\u00e3o que percorria o meu corpo perante aquela imagem. O pardal estava claramente triste e infeliz, talvez pelo facto de ter a asa partida, ou talvez porque sentia que assim que tivesse a sua asa curada, a sua vida a partir daquele momento seria vivida nos poucos cent\u00edmetros quadrados dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>O p\u00e1ssaro recusou-se a comer e pouco se movimentou na sua pequena casa nova. Tornou-se passivo. Cada dia que passava ficava mais escuro, a sua plumagem perdia a cor, at\u00e9 que numa manh\u00e3 ao acordar, encontrei a sua gaiola vazia: o p\u00e1ssaro tinha morrido e a minha m\u00e3e tinha-o dado a comer a um gato.<\/p>\n<p>Essa experi\u00eancia afectou-me profundamente. Apesar de terem passado quase 20 anos, ainda me lembro perfeitamente daquele epis\u00f3dio da minha inf\u00e2ncia e os sentimentos nutri pelo pardal. Aquele pardal&#8230; um corpo t\u00e3o pequeno e fr\u00e1gil, que manteve em si o espa\u00e7o infinito.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, quando pensava neste epis\u00f3dio eu perguntava \u2013 me o que poderia ter causado a sua morte. Teria sido a asa partida e a dor f\u00edsica, ou a consci\u00eancia de perder a sua liberdade e, por conseguinte, a perda de esperan\u00e7a?<\/p>\n<p><em>Birdsoundcage<\/em> \u00e9 uma gaiola de p\u00e1ssaro recriada sonoramente numa sala vazia e ass\u00e9ptica. L\u00e1 dentro jaz um corpo im\u00f3vel, completamente enfaixado, que para sobreviver auto constr\u00f3i uma gaiola \u00e0 sua medida feita de pr\u00f3teses. As pr\u00f3teses s\u00e3o obtidas atrav\u00e9s de ligaduras nos ramos de \u00e1rvore fixadas nos membros inferiores e superiores. A mat\u00e9ria org\u00e2nica de que s\u00e3o feitas as pr\u00f3teses remete para os restos de um ninho, um lugar do passado que j\u00e1 n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>A gaiola \u00e9 um lugar imagin\u00e1rio constru\u00eddo \u00e0 volta de um corpo, que evoca por sua vez um lugar dentro do corpo, para um estado de ser. A gaiola poderia ser muitas coisas, muitas situa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis que n\u00f3s somos inevitavelmente for\u00e7ados a viver, que nem sempre nos s\u00e3o impostas por outros, mas que n\u00f3s mesmos atra\u00edmos. A gaiola pode ent\u00e3o ter um duplo significado. A gaiola \u00e9 a pris\u00e3o ou o ninho, depende da nossa abordagem \u00e0 vida e do sentido que n\u00f3s damos \u00e0s coisas. Numa situa\u00e7\u00e3o de desconforto, tristeza e desespero, a gaiola pode tornar-se em algo de positivo quando a dor nos coloca numa situa\u00e7\u00e3o de confronto, quando a dor se torna partilha e age sobre a nossa vontade. A clausura, ent\u00e3o, pode tornar-se abertura. A perda da liberdade, devido ao facto de haver uma restri\u00e7\u00e3o, um impedimento, uma obstru\u00e7\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o resol\u00favel. O construir-se uma gaiola com os restos do ninho, para mim, significa aceitar a dor, deix\u00e1-la fluir. Significa tamb\u00e9m relacionar-se com o nosso passado, \u00e0quilo que \u00e9ramos, \u00e0s nossas pr\u00f3prias experi\u00eancias, a partir das quais podemos sempre obter novos conhecimentos.<\/p>\n<p><em>Birdsoundcage<\/em> \u00e9 um lugar simb\u00f3lico ao qual somos convidados a dar um sentido.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>DESCRI\u00c7\u00c3O<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><em>Birdsoundcage<\/em> \u00e9 uma instala\u00e7\u00e3o sonora de 4 canais com v\u00eddeo.<\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o sonora recria o ambiente dentro e fora de uma gaiola. Conseguimos ouvir dos quatro lados do quarto o som de um p\u00e1ssaro que se atira contra as grades da gaiola e ao longe o som de p\u00e1ssaros livres, vozes de gente, c\u00e3es que ladram, etc. Quem entra no quarto ter\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de estar fechado numa gaiola, junto com um p\u00e1ssaro.<\/p>\n<p>O v\u00eddeo transmitido por um pequeno monitor mostra o processo meticuloso de constru\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias pr\u00f3teses nos membros do corpo da performer.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>CR\u00c9DITOS<\/strong><\/p>\n<p>Conceito e Direc\u00e7\u00e3o Art\u00edstica: Manuela Barile<br \/>\nGrava\u00e7\u00f5es Sonoras de Campo &amp; Composi\u00e7\u00e3o \u00c1udio Multicanal: Duncan Whitley<br \/>\nC\u00e2mara: Lu\u00eds Costa<br \/>\nMontagem V\u00eddeo: Manuela Barile<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Luis Costa e Carina Martins (Binaural)<br \/>\nApoio: Minist\u00e9rio da Cultura \u2013 Direc\u00e7\u00e3o Geral das Artes<\/p>\n<p>Cenas de Birdsoundcage, um v\u00eddeo de Manuela Barile, 2009<\/p>\n<p>[AFG_gallery id=&#8217;121&#8242;]<\/p>\n<\/div><div class=\"fusion-clearfix\"><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A instala\u00e7\u00e3o sonora recria o ambiente dentro e fora de uma gaiola. 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