OIKOS
De tempos a tempos algo acontece e eu deixo de sonhar com a casa e com os pinheiros da minha infância. Então a nostalgia assalta-me e eu espero com ansiedade poder ver esse sonho em que serei outra vez criança e sentir-me-ei novamente feliz, porque tudo estará à minha frente, e tudo será ainda possível.
Andrei Tarkovski
A casa é um lugar. A casa é o nosso pequeno universo, de concentração e integração de memórias, relações e experiências. Quando estamos na nossa casa, sentimo-nos protegidos. Quando abandonamos a nossa casa, sentimo-nos perdidos e melancólicos. A nossa casa vazia, o lugar-casa, transforma-se em mero espaço. Abandonar esse lugar e vê-lo ser transformado em espaço, significa deixar as nossas ligações, ir para fora de nós, despidos das nossas certezas. Oikos mostra um corpo fundir-se com a casa, com as suas paredes, com restos de objectos que são restos de memorias. A voz, na sua vulnerabilidade e fragilidade, transforma o corpo em memoria, exprime a sua tristeza e a sua profunda inquetação. Oikos combina “extended vocal techniques” focalizadas na relação entre voz, paisagem sonora e propriedades acústicas dos lugares com a performance.
CRÉDITOS
Conceito e Direcção Artística: Manuela Barile
Performer Vocal e Composição Sonora: Manuela Barile
Gravações Sonoras: Helen Petts
Registo e Montagem Vídeo: Manuela Barile & Helen Petts
Fotos: Carina Martins
Pós-produção de Som: Rui Costa (Portugal)
Guarda-Roupa: Creazioni Ranieri (Bari, Itália)
Produção: Luis Costa e Carina Martins (Binaural)
Apoio: Ministério da Cultura – Direcção Geral das Artes