Musgos e Líquenes: Exposição 8 Artistas da Estónia

luiscosta | Março 23rd, 2009 - 18:11

Musgos e Líquenes
Exposição Colectiva de 6 Artistas da Estónia
Galeria Santa Clara, Coimbra
De 28 de Março a 28 de Maio 2009

A Galeria Santa Clara acolhe entre 28 de Março e 28 de Maio 2009 uma exposição colectiva de 6 artistas contemporâneos nascidos ou residentes na Estónia, John Grzinich, Evelyn Müürsepp, Toomas Thetloff, Anna Hints, Svetlana Bogomolova e Peeter Laurits.

A exposição, que pretende dar a conhecer a vitalidade criativa da comunidade artística de um país báltico situado no outro extremo da Europa, é realizada no âmbito de um acordo de cooperação existente entre dois centros de experimentação artística, o Centro de Residências Artísticas de Nodar, um espaço de criação em artes media gerido pelo colectivo artístico Binaural, localizado numa pequena aldeia rural do concelho de S. Pedro do Sul, e o MoKS – Centro para a Arte e Prática Social, localizado na aldeia de Mooste, Estónia.

Três dos artistas presentes na exposição (John Grzinich, Evelyn Müürsepp, Toomas Thetloff) foram artistas residentes em Nodar no ano de 2008, sendo que respectivas obras a expor foram realizadas a partir do contexto rural daquela aldeia. Os outros três artistas (Anna Hints, Svetlana Bogomolova e Peeter Laurits) serão artistas residentes em Nodar ao longo de 2009 e apresentarão na exposição obras emblemáticas anteriores.

A exposição envolve três séries de obras fotográficas (“Charons Crossing” da autoria de Peeter Laurits, “Early Childhood Lessons” de Anna Hints e “Aliens and Gummy Bears” de Svetlana Bogomolova.) e três criações vídeo (“Nodar Flowlines” de John Grzinich, “Kudum” de Evelyn Müürsepp e “A Film” de Toomas Thetloff).

A exposição é curada por Olga Maia Seco, responsável pela Galeria Santa Clara, por Luís Costa, coordenador do Centro de Residências Artísticas de Nodar e por Peeter Laurits, artista visual da Estónia e membro do MoKS.

Inauguração da exposição:

Sábado, 28 de Março 09 às 19h00
Galeria Santa Clara,
Rua António Augusto Gonçalves, 67
3040 241 Coimbra
Tel. 239 441 657

Webs:

http://www.galeriasantaclara.com
http://www.binauralmedia.org
http://www.moks.ee

Manuela Barile exibe “Moroloja” em Coimbra

luiscosta | Fevereiro 5th, 2009 - 13:57

MOROLOJA
Uma instalação vídeo de Manuela Barile
Galeria Santa Clara, Coimbra (PT)
De 7 de Fevereiro a 26 de Março 2009

A artista multidisciplinar Manuela Barile, membro do colectivo de artes media Binaural, apresenta uma instalação vídeo no âmbito de uma exposição colectiva na Galeria Santa Clara em Coimbra, patente ao público entre 7 de Fevereiro e 26 de Março 09. A exposição colectiva, intitulada “O Mistério do Narciso”, é curada por Olga Maia Seco e, para além da instalação vídeo de Manuela Barile, inclui trabalhos de pintura, escultura, instalação e vídeo de António Santos, Bruno Gonçalves, Ilídio Salteiro, Lília Catarina, Marta Castelo e Rita da Costa. A instalação apresentada por Manuela Barile intitulada “Moroloja”, foi concebida e realizada no Centro de Residências Artísticas de Nodar (S. Pedro do Sul) em Novembro de 2008 e consiste numa pesquisa visual e sonora da experiência simbólica e ritual do luto.

Informações adicionais:

Galeria Santa Clara
Rua António Augusto Gonçalves, 67
Santa Clara – 3040 – 241 Coimbra
Portugal

Tel. 239 441 657

Datas da exposição:
Todos os dias de 7 Fevereiro a 26 Março 09 das 14h00 às 02h00 (Sextas e Sábados das 14h00 às 03h00)

Inauguração da exposição:
Sábado 7 de Fevereiro às 17h00


MOROLOJA

Num hino a Demetra, Homero disse que quando a sua filha Perséfone foi raptada por Hades, o Deus do submundo:

“Uma dor aguda tomou-lhe o coração e ela rasgou com as próprias mãos o véu que envolvia os seus cabelos divinos. De ambos os ombros arrancou o seu manto escuro e atirou-se como um pássaro selvagem sobre a terra firme e sobre o mar, procurando a sua filha. Mas ninguém lhe queria contar a verdade, nem entre os deuses nem entre os homens mortais; e nem entre os pássaros um verdadeiro mensageiro veio até ela. Então, durante nove dias a soberana Demetra vagueava pela terra, com tochas acesas nas mãos, encontrava-se tão aflita que nenhuma vez provou a ambrósia e o néctar suave, e nem o seu corpo se lançou nos banhos.”

“Moroloja” é uma instalação vídeo de 11minutos, inspirada no hino a Demetra de Homero. Mostra uma mulher jovem vestida de preto. Ela está sozinha, sentada numa cadeira dentro de uma casa abandonada (em Nodar).

Ela é Demetra, a deusa do grão e da fertilidade. Ela está a sofrer sozinha, porque perdeu a sua filha. Ela está a viver a experiência do luto. Na sua dor, ela é humana e vulnerável. Depois da imobilidade, começa um ritual de choro e cântico, aquele que evoca os lamentos de luto do Salento, no sul da Puglia, a região Italiana onde a artista nasceu.

Os “Moroloja” são cânticos das “prefiche”, mulheres pagas para se lamentarem durante a vigília do luto da morte de alguém no Salento. Estas mulheres costumavam cantar músicas aflitivas com mímica violenta e frenética, misturada com choros e gritos. Levavam um lenço branco nas mãos que era sacudido e agitado, criando uma espécie de dança rítmica. Nestes cânticos antigos não existiam quaisquer referências ao conceito Cristão da morte e da ressurreição. Depois da morte, existe apenas a dissolução, a noite escura. Nos cânticos, as referências à morte personificada (Thanatos) e ao prenúncio da Fada que determina o destino eram frequentes.

Os “Moroloja” são cânticos improvisados numa estrutura tradicional; as estrofes estão em “griko” (uma língua derivada do Grego ainda falada em algumas aldeias do Salento) e alternam com estrofes no dialecto local. Os “Moroloja” eram improvisados e adaptados de acordo com as circunstâncias, das expectativas da audiência, ao género e grau de parentesco que essas mulheres tinham com a pessoa que estava em maior sofrimento.