PAIVASCAPES #1
ESTRUTURA, PROCESSO E PERCEPÇÃO DE UM RIO

Candidatura Internacional para a Selecção de Projectos Artísticos

Selecção de 12 projectos artísticos a serem desenvolvidos em módulos de residências de 2 semanas, entre Fevereiro e Outubro 2010.

Data limite de recepção das propostas: 30 Setembro 2009.

Áreas artísticas: Fonografia (“field recordings”), instalação sonora, performance vocal, poesia sonora, improvisação / composição acústica, electroacústica ou electrónica.


O Programa de Residências Artísticas de Nodar para 2010 terá um tema agregador único: o rio Paiva. Ao longo do ano, do Inverno ao Outono serão desenvolvidos diversos projectos artísticos multidisciplinares (que tenham como elemento central o som) numa perspectiva contextual relacionada com as várias zonas geográficas do rio, da nascente até à foz. Uma homenagem a um pequeno rio que é um símbolo de uma região que (ainda) sabe viver em interacção equilibrada com a natureza. A partir da relação que existe entre a aldeia de Nodar e o rio Paiva, a qual motivou já a realização de alguns trabalhos artísticos, foi decidido agora estender a interacção a todo o curso do rio, dando um sentido de coerência e pluralidade à reflexão, captando linhas de continuidade e de ruptura, padrões, densidades e zonas de transição, sejam as relativas ao enquadramento geográfico como ao enquadramento humano.

Os trabalhos desenvolvidos serão apresentados ao público no início de 2011, no âmbito de um evento que incluirá palestras, concertos, exibição de vídeos e uma exposição retrospectiva de todo o projecto. Esta exposição terá um carácter itinerante, sendo concebida nomeadamente para apresentação em várias localidades próximas do rio Paiva e tendo subjacente um programa de actividades educativas dirigidas a crianças e jovens.

Texto completo do anúncio e instruções de candidatura, aqui.

Textos, fotos e áudio da residência artística que ocorreu em Nodar durante o mês de Maio 09 estão agora em linha:


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Jason Kahn


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Satoshi Morita


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Melanie Velarde


Um ficheiro áudio adicional do ensaio de Melanie Velarde duas noites antes da apresentação pública em Nodar:

 
icon for podpress  Melanie Velarde: Rehearsal @ Nodar: Play Now | Download

Workshop “A Expressão Amplificada do Corpo”
Dirigido por Manuela Barile e Rui Costa

15 a 18 Junho 09, 18h00 às 22h00
Teatro Viriato (Viseu)

Um workshop teórico-prático de criação colaborativa de uma performance multidisciplinar, na qual corpo, voz, espaço físico-acústico e sensores se intersectam, amplificando as suas possibilidades expressivas.

O laboratório oferece uma introdução aos processos de percepção e controlo do corpo, do som e do espaço, aos mecanismos de escuta, expressão e comunicação da sensibilidade interior, às metodologias de organização consciente dos materiais que definem uma performance multidisciplinar,  às ferramentas baseadas em tecnologias de captação de vibrações nomeadamente, mas não só, as do corpo humano e a sua translação em realidades acústicas e ao posterior processamento digital dessas realidades acústicas.

O laboratório contará com a presença de dois artistas especialistas de renome nas diversas áreas em jogo e propõe uma abordagem de aplicação prática e imediata dos conceitos e ferramentas apreendidos.

A Binaural e o Teatro Viriato apresentam:

La Scatola
Um Espectáculo Intermedia de Manuela Barile e Rui Costa

Sexta-Feira, 19 Junho 09 – 21h30
Teatro Viriato, Viseu

M/12 – Bilhetes entre 5 e 10 Euros


Espectáculo de encerramento do projecto “La Scatola” de Manuela Barile e Rui Costa (directores artísticos da Binaural) após uma itinerância de 14 datas em festivais de música exploratória, salas de concerto, galerias e museus de Portugal, Espanha, Itália e França.

Um espectáculo intermedia surpreendente, no qual voz, performance, espacialização sonora multicanal e vídeo (pré-gravado e em tempo real) se reúnem de forma imersiva para narrar situações que dizem respeito a todos: a memória longínqua, a infância entre o sonho e o pesadelo, os lugares e pessoas do passado, etc.

‘La Scatola’ trabalha sobre a zona de fronteira entre o “eu” e o mundo exterior e parte de uma ideia, de um dispositivo narrativo, designado por ‘La Scatola’ (‘a caixa, em Português), o qual representa um espaço difuso entre o ‘dentro’ e o ‘fora’, entre o ‘eu’ e o ‘outro’, no qual estão presentes múltiplas linhas de força de sentido contrário: manifestações sensoriais do corpo encarcerado / corpo protegido, visões distorcidas do mundo exterior, ansiedade, desejos, memórias. Estas linhas de força são encaradas em termos puramente espaciais (“zona interdita”, “abismo”, “barreira”) mas também em termos de “fluxos energéticos” bidireccionais criados pela projecção sensorial e emocional no mundo exterior da individualidade encarcerada (dor, desejo, resistência, impotência, etc.) e da representação (idealizada, distorcida, difusa) desse mundo na mente e corpo do indivíduo encalusurado.

Os diversos dispositivos utilizados no projecto são organizados de forma a criarem situações de aparência enigmática, entre o familiar e o estranho, o vizinho e o distante. As imagens ou os objectos usados, na sua simplicidade e depuração, transformam-se num espelho capaz de fazer confrontar o espectador com as suas próprias memórias e experiência individual.

“La Scatola” foi desenvolvido em múltiplas metamorfoses e apresentado em diversos contextos permutáveis e combináveis entre si: instalações, performances, concertos (solos / duos), apresentações “site-specific” e workshops.


Direcção Artística: Manuela Barile e Rui Costa
Apoio Dramatúrgico: Bojana Bauer (Sérvia)
Coordenação de Produção: Luís Costa
Pós-Produção Vídeo: João Rodrigues
Residências Artísticas: Centro de Residências Artísticas de Nodar (Portugal) | MoKS (Estónia)

Financiamento: Ministério da Cultura | Direcção Geral das Artes

Apoios | Agradecimentos: Associação Cultural de Nodar | Câmara Municipal de S. Pedro do Sul | Zoom – Associação Cultural | Amigos do Museu de Olaria de Barcelos | Galeria Zé dos Bois | MoKS (Estónia) | Vel-Net (Itália) | Villa Franchin (Itália) | Madcap Collective (Itália) | Città di Venezia (Itália) | MARCO – Museo de Arte Contemporáneo de Vigo (Espanha) | Colectivo Sinsal (Espanha) | MUSAC – Museo de Arte Contemporáneo de León (Espanha) | Junta de Castilla y León – Consejeria de Cultura y Turismo (Espanha) | Almazen. Serial Artist (Espanha) | La Casa Encendida de Obra Social Caja Madrid (Espanha) | Asociación Musicalibre (Espanha) | Centro Huarte – Centro de Arte Contemporáneo de Navarra (Espanha) | Presence Capitale (França) | Erratum (França) | Teatro Viriato

O Centro de Residências Artísticas de Nodar apresenta:

RURAL AURAL

Sábado, 23 de Maio 09
Nodar, São Pedro do Sul

(Coordenada Geográfica:  40° 55′ 5″ N, 8° 3′ 36″ W)

Um dia dedicado aos sons do mundo rural, à sua escuta e transformação criativa


Programa

10h00
Passeio Sonoro nas Margens do Rio Paiva

Motivados por uma outra forma de contactar com a paisagem, os participantes neste passeio sonoro serão convidados a “sintonizar” os seus ouvidos, dirigindo a atenção para o mundo sonoro extremamente rico que rodeia a aldeia de Nodar e o rio Paiva e a escutar de forma activa e imaginativa, não apenas a ouvir passivamente, alargando assim a consciência para o papel do mundo acústico na caracterização da paisagem envolvente, natural e humana.

Durante o tempo do percurso (cerca de 1h30) os participantes são convidados ao relaxamento, à concentração e ao silêncio, de forma a ser potenciada ao máximo a experiência acústica. Na medida do possível, os elementos visuais da paisagem devem servir apenas de orientação aos participantes. No final partilharemos as nossas experiências e o passeio sonoro será gravado na íntegra para posteriormente ser disponibilizado no site da Binaural.

Nota:  O passeio sonoro está sujeito a inscrição prévia através do email info@binauralmedia.org e inclui almoço (custo total 10 euros). Os participantes deverão trazer roupa e calçado confortável, assim como sapatos ou chinelos impermeáveis específicos para atravessar a pé o rio Paiva.


15h00
Três Projectos Sonoros Desenvolvidos em Contexto Específico


Jason Kahn (EUA)
Projecto Artístico: “Any Way the Wind Blows” | Instalação Sonora

Projecto de gravação sonora e de instalação em interacção com o ambiente natural de Nodar.  Através do uso de cordas de aço sob tensão, microfones de contacto e sistemas multi-canal amplificados por sistemas portáteis, o som do vento a soprar é amplificado, fazendo vibrar os ramos e folhas das árvores, arbustos e ervas, elementos que são reintroduzidos em seguida na forma de reflexo sonoro no próprio ambiente.  Num plano conceptual este trabalho questiona a noção de lugar de arte como algo existente no olhar do espectador: como diz o ditado antigo: se uma árvore cai e ninguém ouve, será que caiu mesmo?”

Nasceu em Nova Iorque em 1960, cresceu em Los Angeles e mudou-se para a Europa em 1990, vivendo actualmente em Zurique. O trabalho de Jason Kahn inclui instalação sonora, performance e composição. Actua quer a solo quer de forma colaborativa, usando percussão, sintetizador analógico ou computador, em combinações variáveis. Para grupos de improvisação dirigida, construiu um sistema próprio de notação gráfica. Concebe ainda instalações sonoras para espaços específicos centradas em questões ligadas à percepção do espaço através do som.

http://jasonkahn.net


Melanie Velarde (Austrália)
Projecto Artístico: “Sem Título” | Performance Sonora

Um projecto definido pela artista como uma plataforma na forma de uma instalação e performance, que forma um processo (aleatório) de comunicação acústica, cruzando fronteiras geográficas, físicas e emocionais. Foram gerados trabalhos acusmáticos, de gravações de campo e electroacústicos a partir da área envolvente de Nodar, utilizando meios analógicos, os quais participam num teatro sonoro situado na paisagem de Nodar.  A ideia foi a de criar uma estrutura que potencie uma série de improvisações combinando resíduos locais, gravações de campo, composições acústicas e trabalhos sonoros experimentais. A aproximação composicional é ainda caracterizada pela participação dos sons e heranças culturais locais, incorporando o tempo e o lugar como elementos modulares para a estrutura, tudo enquadrado por métodos analógicos e lo-fi.

Melanie Velarde é uma artista sonora Australiana baseada em Berlim. Tem utilizado essencialmente gravações de campo para produzir texturas sonoras e sensuais que podem ser experienciadas dentro de um espaço definido, habitualmente na forma de instalações sonoras e de vídeo bem como de performance. O seu trabalho tem sido apresentado em galerias e festivais na Austrália, China, Dinamarca e Alemanha, assim como em emissões de arte radiofónica.

http://www.melanievelarde.com


Satoshi Morita (Japão)
Projecto Artístico:  “Nodar Walk” | Apresentação Áudio-Táctil

“Transformação do acto de caminhar em Nodar numa experiência sonora – sentir o toque da paisagem”. O ambiente de Nodar foi registado acusticamente com múltiplos microfones, enquanto o artista caminhava acompanhado por objectos que transportava, os quais igualmente produziam sons. O público irá experienciar o ambiente rural de Nodar através de uma perspectiva de escuta não habitual: uma percepção áudio-táctil transmitida por um objecto sonoro inter-sensorial.

Satoshi Morita é um artista sonoro Japonês baseado em Berlim. É formado em Estudos Sonoros pela Universidade de Artes de Berlim. Tem apresentado inúmeras instalações sonoras em galerias, museus e espaços não convencionais na Áustria, Inglaterra e em diversos locais da Alemanha. Desenvolve ainda peças para rádio em prestigiadas emissões de arte rádio (WDR 3, Deutchlandradio Kultur, etc.) Obteve uma menção honrosa no Prix Ars Electronica de 2008.

http://www.sonicspacelabs.com


Em 22 de Abril 2009, o duo electroacústico parisiense Eddie135 juntou-se à performer italiana Manuela Barile e o resultado foi uma combinação poderosa de sons acusmáticos e de emoções à flor da pele. Uma noite memorável aconteceu no acolhedor Lugar do Capitão em Viseu e existem bastas provas desse facto.


Ei-las aqui em sons e imagens:

 
icon for podpress  Eddie135 & Manuela Barile @ Viseu (PT): Play Now | Download


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E ainda mais fotos do concerto e para além dele, aqui

Jam Session Binaural @ Viseu, PT

A Binaural e o Lugar do Capitão apresentam:

Jam session com Eddie135 (improvisação electroacústica) + Manuela Barile (performance vocal)
Quarta-Feira, 22 de Abril 09 às 22h00

Lugar do Capitão, Viseu
Rua do Gonçalinho, 84-86

http://www.myspace.com/lugardocapitao


Eddie135 é um jovem duo Francês de improvisão electroacústica que está a efectuar uma tournée nacional, tendo sido convidado pela Binaural para vir a Viseu. A música de Eddie135 baseia-se em improvisação a partir de qualquer tipo de fonte sonora (sintetizadores modificados ou não, microfones, guitarra, objectos)

http://www.myspace.com/therealeddie135


Manuela Barile é uma pesquisadora vocal e performer interdisciplinar Italiana, presentemente co-directora artística do colectivo Binaural. A sua pesquisa artística assenta num trabalho projectual que combina os sons da voz com media diversos (gravações sonoras de campo, vídeo, fotografia, instalações, performance, concerto-perfomance, desenho, escrita). Como performer vocal Manuela Barile já trabalhou ou colaborou com uma enorme diversidade de artistas da cena experimental europeia e norte-americana (Mario Volpe, Gianni Lenoci, Marcello Magliocchi, Amy Denio, Phil Minton, Tristan Honsinger, Antonio Mainenti, Rinus Van Alebeek, Rui Costa, Paulo Raposo, Antez, Ernesto Rodrigues, Nilo Gallego, Dennis Báthory-Kitsz, Madamme Cell, Maile Colbert, Pali Meursault, Cédric Anglaret, etc.)

http://www.myspace.com/manuelabarile


Cartaz da tournée Portuguesa de Eddie135:

 

O Centro de Residências Artísticas de Nodar apresenta:

A Ordem da Leira e da Pedra
4 Projectos de Arte Contextual

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Apresentação Pública
Sábado, 4 de Abril 09, 15h00
Nodar, S. Pedro do Sul

Quatro trabalhos de artes visuais desenvolvidos em interacção com o território rural de Nodar e de zonas adjacentes (aldeias de Sequeiros, Rompecilha, Covas do Monte e Parada de Ester)


Rui Silveira (Portugal)

“Abrigo” | Instalação vídeo

Numa região onde a arquitectura tradicional sofreu enormes transformações – resultantes não só da introdução de novos materiais e técnicas de construção, mas também pela importação de modelos arquitectónicos estrangeiros – sentimos muitas vezes que existe um tempo diferente em torno das construções que ainda mantêm as características originais da região. Estas casas, muitas das quais foram abandonadas, mais que simples abrigos, foram locais essenciais da vida diária da família. Estes gestos e acções extintos ecoam ainda nos seus muros de pedra. São memórias evocadas pelas divisões vazias, relatos de habitantes que ainda as lembram vivas, objectos que, deixados para trás, nos contam histórias. Pode falar-se de um tempo diferente dentro destas casas, um tempo indiferente à nossa presença, indiferente ao presente, um tempo que nos fala da identidade do território, de uma maneira muito própria de o construir e habitar que, pelo uso dos materiais, se relaciona quase mimeticamente com a paisagem natural. Partindo de relatos dos habitantes e gravações da ambiência destes locais, surge um objecto audiovisual híbrido que relaciona uma visão documental com outra linguagem mais experimental em torno do universo sonoro dos materiais usados para a sua construção – a pedra e a madeira.

Rui Silveira nasceu em Campo Maior em 1983 e vive em Lisboa. É licenciado em Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e embora a sua formação tenha sido em grade parte orientada para o design gráfico, sempre tentou dirigir os seus trabalhos para os meios audiovisuais. As relações entre som e imagem (vídeo ou fotografia) captaram desde o início a sua atenção e interesse. Participou com trabalhos no Festival Collision em Londres e nos Rencontres Internationales em Paris.

http://www.ruisilveira.com


Peeter Laurits (Estónia)
“City of Goats” (título provisório) | Fotografia

O trabalho de Peeter Laurtis lidou com a aldeia de Covas do Monte, vizinha de Nodar, um local que parece não ter mudado muito desde há séculos a esta parte, mantendo muitos traços profundos de um modo de vida tradicional. O artista explorou a arquitectura desta pequena comunidade através de meios fotográficos, fazendo uso de técnicas fotográficas com e sem tratamento computorizado.

Peeter Laurits (1962) é um artista visual nascido na Estónia, cujo trabalho se centra à volta da fotografia. A sua formação foi realizada nas cidades de Tallinn, Tartu, São Petersburgo e Nova Iorque.  Desde 1989 que exibe a sua obra internacionalmente. Foi co-fundador dos colectivos artísticos DeStudio e Open Valley Studio. Trabalhos seus fazem parte da colecção do Estonian Art Museum, Tartu Art Museum, KIASMA, colecção Norton Dodge e muitas outras colecções públicas e privadas. Actualmente vive numa floresta do sul da Estónia, situada no vale Kütiorg.

http://web.me.com/peeter.laurits



Svetlana Bogomolova (Estónia)

“Body Material” e outros | Fotografia, Vídeo

A artista interessa-se pelos detalhes invisíveis das coisas à nossa volta – detalhes que estão sempre presentes mas nos quais ninguém repara. A artista tenta encontrá-los e mostrá-los aos demais. Em Nodar a artista desenvolveu vários projectos, todos relacionados com a invisibilidade e com a transiência. “Body Material” é uma série de retratos de pessoas que habitam na aldeia de Sequeiros, ao lado de Nodar. Nesta série foram efectuados retratos de pessoas de uma forma usual e retratos de algo invisível nelas – fazendo crescer fungos no material corpóreo das pessoas. A artista pediu a alguns habitantes para “darem” uma parte dos seus corpos – como cabelo, ou água de lavar as mãos – e igualmente para colher algum material que flutua no ar das divisões onde vivem, para os colocar num substrato biológico. Posteriormente o bolor começa a crescer no substrato e as formas e cores geradas são também o retrato dessas pessoas – de uma forma pouco usual, de algo escondido, mas presente. Para a artista, pedir às pessoas para cederem parte dos seus corpos e revelar estes retratos escondidos é um processo muito íntimo.

A outra parte do trabalho desenvolvido pela artista em Nodar constituiu um grupo de três vídeos acerca da transiência de tudo à nossa volta, acerca da finitude – que une pessoas, animais e paisagem, o que é não é uma ideia triste, mas sim calma e poética. Essa é a percepção da artista acerca de Nodar – nada parecida com a depressão generalizada do Norte de onde a artista vem - e que está relacionada com a ideia de auto-suficiência e de consciência de que tudo vem e vai.  Este conhecimento é antigo e feminino e dá à artista muito poder – algo que poderia ser designado de místico, mas que ela prefere qualificar de pacificador e portador de confiança.

Svetlana Bogomolova nasceu em São Petersburgo (Rússia) e vive actualmente na Estónia. É formada em media e publicidade pela Faculdade de Belas Artes de Tartu. Desenvolve projectos nos domínios da fotografia, vídeo, performance, instalação, design gráfico e multimédia. É membro do MoKS - Centro para a Arte e Prática Social e tem participado em diversas exposições, projecções, performances, instalações áudio e vídeo. Trabalha actualmente em vídeo arte, como VJ e como designer gráfica.

http://www.svetabogomolova.com


Joana Nascimento (Portugal)
“SimLugares” | Desenho / Vídeo

“SimLugares” é um projecto que se interessa por território e paisagem, no sentido da relação entre pessoas num contexto (rural), e interacção entre pessoas e espaço (de que fazem uso e propriedade). Resistindo à leitura de não-lugares (Marc Augé), interessa à artista antes uma ideia de lugar comum associada ao reconhecimento psicogeográfico do lugar. Segundo Henri Léfebrve (pensador de cariz marxista), a activação de um lugar faz-se pelas suas dinâmicas, e o próprio significado de um determinado espaço tem menos a ver com a sua construção em si mesma, mas com os usos que permite.  Neste projecto a artista procurou produzir um conjunto de mapas (mentais, conceptuais, cognitivos) baseados em indicações orais da população local em torno de práticas pessoais no espaço da aldeia de Nodar. Trata-se de procurar entender o lugar no sentido das imagens, memórias, usos que lhes estão associadas, e através destes elementos e expôr o modo como as pessoas se relacionam com a paisagem que as rodeia.

Joana Nascimento é uma artista visual portuguesa. Licenciou-se em Artes Plásticas – Escultura pela Faculdade de Belas Artes do Porto, onde actualmente desenvolve uma investigação intitulada “Territorialização dos Espaços, [In]Visibilidades – Uma Abordagem ao Espaço e Tempo Performativo nas Práticas Artísticas para o Espaço Público”, no âmbito do segundo ano do Mestrado em Arte e Design para o Espaço Público. Em 2006/07 Obteve formação extracurricular em Cenografia e Intermedia na Akademia Sztuk Pieknych w Krakowie, Polónia. Faz parte do colectivo multidisciplinar “Inner-city”, cujos interesses se centram em abordagens locais ao espaço público e participou em várias exposições colectivas em Portugal, Espanha e Polónia.

 

Musgos e Líquenes
Exposição Colectiva de 6 Artistas da Estónia
Galeria Santa Clara, Coimbra
De 28 de Março a 28 de Maio 2009

A Galeria Santa Clara acolhe entre 28 de Março e 28 de Maio 2009 uma exposição colectiva de 6 artistas contemporâneos nascidos ou residentes na Estónia, John Grzinich, Evelyn Müürsepp, Toomas Thetloff, Anna Hints, Svetlana Bogomolova e Peeter Laurits.

A exposição, que pretende dar a conhecer a vitalidade criativa da comunidade artística de um país báltico situado no outro extremo da Europa, é realizada no âmbito de um acordo de cooperação existente entre dois centros de experimentação artística, o Centro de Residências Artísticas de Nodar, um espaço de criação em artes media gerido pelo colectivo artístico Binaural, localizado numa pequena aldeia rural do concelho de S. Pedro do Sul, e o MoKS – Centro para a Arte e Prática Social, localizado na aldeia de Mooste, Estónia.

Três dos artistas presentes na exposição (John Grzinich, Evelyn Müürsepp, Toomas Thetloff) foram artistas residentes em Nodar no ano de 2008, sendo que respectivas obras a expor foram realizadas a partir do contexto rural daquela aldeia. Os outros três artistas (Anna Hints, Svetlana Bogomolova e Peeter Laurits) serão artistas residentes em Nodar ao longo de 2009 e apresentarão na exposição obras emblemáticas anteriores.

A exposição envolve três séries de obras fotográficas (“Charons Crossing” da autoria de Peeter Laurits, “Early Childhood Lessons” de Anna Hints e “Aliens and Gummy Bears” de Svetlana Bogomolova.) e três criações vídeo (“Nodar Flowlines” de John Grzinich, “Kudum” de Evelyn Müürsepp e “A Film” de Toomas Thetloff).

A exposição é curada por Olga Maia Seco, responsável pela Galeria Santa Clara, por Luís Costa, coordenador do Centro de Residências Artísticas de Nodar e por Peeter Laurits, artista visual da Estónia e membro do MoKS.

Inauguração da exposição:

Sábado, 28 de Março 09 às 19h00
Galeria Santa Clara,
Rua António Augusto Gonçalves, 67
3040 241 Coimbra
Tel. 239 441 657

Webs:

http://www.galeriasantaclara.com
http://www.binauralmedia.org
http://www.moks.ee

Entre 19 e 21 de Março de 2009, o Teatro Viriato (Viseu, PT) acolheu um laboratório de vídeo arte organizado pela Binaural. Durante o referido laboratório, dirigido por Maile Colbert, cerca de 20 formandos aprenderam conceitos, técnicas e ferramentes de produção de filmes de vídeo arte usando material de arquivo e criaram 12 muito interessantes peças vídeo. Este laboratório faz parte do programa educativo da Binaural em som e vídeo experimental.

Eis algumas fotos deste workshop:

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