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Dennis Báthory-Kitsz e Stevie Balch | EUA Projecto: Birth Song: Cross-Cultural
Exploration of an Old Birth Art
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1. Notas sobre a residência de Dennis Báthory-Kitsz e Stevie Balch A residência de Dennis Báthory-Kitsz e Stevie Balch, com um tema aparentemente específico, canções de maternidade, mostrou ser mais complexa do que inicialmente previsto. A organização tinha identificado alguns pontos de partida iniciais em termos de pesquisa para o projecto:
Os autores aproveitaram os primeiros dias de residência para percorrer a pé a zona envolvente a Nodar e efectuarem alguns registos sonoros e fotográficos. Por outro lado, foi agendada no final da primeira semana de residência uma conferência no Conservatório de Música da cidade de Seia, situada a cerca de 80 km de Nodar. A conferência foi dividida em duas partes: na primeira, Dennis abordou (com sabedoria e humor) a sua carreira enquanto compositor electro-acústico, e na segunda, ele e Stevie explicaram o seu projecto “Birth Song”, quer em termos artísticos quer em termos de contexto temático. Com uma vivência rural (Vermont, EUA) e um espírito terra-a-terra, sentia-se inicialmente que a adaptação a Nodar e às exigências do projecto seria pacífica e fácil. O facto de ambos terem aprendido algum português fazia igualmente pensar que seria possível algum nível de autonomia no contacto com a população. Após os primeiros dias de projecto, foi possível constatar que os autores do projecto iriam depender em grande medida da equipa de organização para a concretização do trabalho de campo (entrevistas, recolha de canções, etc.) e para uma ajuda na própria concepção artística do projecto, dado o óbivio desconhecimento da realidade local. Após o impacto inicial, algumas dificuldades começaram a emergir:
Tendo em conta estas dificuldades, os autores do projecto começaram gradualmente a pensar em alternativas / complementos em termos temáticos, nomeadamente procurando integrar uma visão mais alargada da maternidade, incluindo o papel genérico da mulher organização familiar e comunitária (os trabalhos agrícolas, a metáfora do pão, a solidariedade feminina, a relação com o universo masculino, etc.). Este alargamento de âmbito foi induzido em primeira instância pelo receio de não se recolher suficiente material aderente à ideia inicial do projecto. No entanto, acabou por coincidir (talvez inconscientemente) com a visão holística como as diversas realidades são encaradas na região: Por exemplo, no que diz respeito às canções, não existe uma segmentação funcional clara (canções de trabalho, canções de embalar, etc.), de tal forma que uma canção de trabalho pode servir para adormecer uma criança. Outro aspecto relevante do projecto constituiu o facto de uma não artista (Stevie Balch) ser um dos autores, o que aconteceu pela primeira vez no centro de residências artísticas de Nodar. Este facto, acabou por ter uma influência muito positiva no decurso do trabalho e da vivência na residência:
Estes factores fizeram atenuar a ansiedade inicial, contribuindo de forma determinante para a recepção do imprevisto, o que potenciou a concretização com sucesso do projecto. Como seria de esperar, as sementes lançadas nos primeiros dias começaram gradualmente a dar frutos:
No final destas sessões de gravação, foram registadas e transcritas mais de 50 canções tradicionais, sendo que cerca de 10% foram canções de embalar. Em paralelo, foram tiradas centenas de fotografias, registadas várias horas de paisagens sonoras, de entrevistas com mulheres e compostas várias composições a partir dos registos sonoros efectuados. O projecto passou a ter o desafio inverso: como organizar / filtrar / trabalhar o manancial de informação recolhida. A visão holística referida atrás acabou por ser a solução natural. Foi então concebido um poema sonoro electro-acústico e fotográfico de cerca de 30 minutos que incorporou de forma muito feliz os vários elementos recolhidos e trabalhados ao longo da residência. De facto, pareceu-nos interessante (e relevante) como pessoas, como Dennis e Stevie, de uma forte densidade e experiência nas suas áreas de intervenção, acabaram por produzir um trabalho absolutamente pungente, emotivo e simples, compreensível por todos quantos estiveram presentes na apresentação final do projecto. Outro elemento relevante foi o facto de o vídeo final ser falado / escrito em português, o que constituiu um esforço importante de comunicação por parte dos autores, que contribuiu de forma decisiva para o sucesso da recepção do trabalho final pela audiência, composta maioritariamente por pessoas cuja única língua que conhecem é a portuguesa. |